SÃO PAULO: CAMPEÃO DO MUNDO/2005

26 de Dezembro de 2005

SÃO PAULO CAMPEÃO DO MUNDO 2005

Há mais de uma década, em 92 e 93, sob orientação do romântico Telê Santana, o onze paulista brilhava com um futebol sedutor, interpretado por craques como Rai, Cafu, Muller, Leonardo, Palhinha e Cerezo. Um estilo ofensivo que valeu a conquista de duas Taças Intercontinentais consecutivas derrotando os dois grandes monstros europeus da época, o Milan de Capello e o Barcelona de Cruyff. Hoje, guiado pelos, digamos, europeizados conceitos tácticos de Paulo Autuori, o São Paulo espelha os novos tempos do futebol brasileiro. Menos artístico mas mais adulto tacticamente. Uma nova realidade que, desde logo, emerge do estilo do meio campo, onde em vez de grandes dribladores, surgem antes volantes ladrões de bolas, os cabeças de área brasileiros, estilo personificado em figuras como Josuê, Renan e Mineiro, jogadores-chave do onze durante o ano de 2005, onde, depois da conquista do campeonato paulista e da Copa libertadores, reconquistou o titulo mundial.

A dinâmica do 3x5x2

SÃO PAULO CAMPEÃO DO MUNDO 2005Seria, no entanto, a fraca campanha no campeonato brasileiro (o qual terminou em 11ºlugar) a ditar a saída de Leão do comando técnico. Em termos tácticos, Autuori, que assumiu o banco em Abril, manteve, o mesmo sistema preferencial, o 3x5x2, após algumas tentativas fracassadas noutras variantes tácticas. No essencial, a dinâmica do sistema é ditada pela vocação ofensiva dos laterais, Cicinho e Junior, verdadeiros alas que fazem todo o corredor, auxiliando depois o armador vagabundo Danilo na zona de construção ofensiva. Mesmo quando desenhou um 4x4x2, o sistema transformava-se muitas vezes num modelo de três defesas, pois na fase ofensiva, um dos trincos (quase sempre Renan) recuava para junto da dupla de centrais e libertava, assim, os laterais para missões ofensivas.

A DEFESA E O GUARDA-REDES GOLEADOR: O duro Lugano e lenda de Rogério Ceni

SÃO PAULO CAMPEÃO DO MUNDO 2005No comando da defesa, quase sempre esquematizada a «3», impõe-se um duro central uruguaio que, por vezes, ultrapassa os limites da agressividade: Diego Lugano. Implacável no corte e no tackle, não hesita em travar o adversário em falta quando este se lhe escapa, como se viu, claramente, na final do Mundial, onde Gerrard ficou a conhecer a dureza das suas entradas.

A seu lado, Fabão, descaindo sobre a direita, e uma bela promessa do futebol brasileiro, EdCarlos, figura da selecção sub-20, um zagueiro mais fino tecnicamente e com bom jogo aéreo. Um trio imponente, escudado, na baliza, por um guarda-redes que por mais defesas fabulosas que faça como na final contra o Liverpool, ficará na história pela sua capacidade em marcar livres e penaltys: Rogério Ceni. Esta época fez 10 golos! Fisicamente robusto, mas com grande agilidade e rapidez de reflexos, parece encher toda a baliza, chegando às bolas mais impossíveis. Um grande guarda-redes, com nível de selecção. O jogo pelos flancos é responsabilidade de dois laterais-alas velocistas que fazem toda a faixa com um fôlego infinito: os franzinos Cicinho (1,71m. e 68kg.), à direita e Júnior (1,73m. e 65kg.), à esquerda.

Em permanente movimento, ora procuram a linha, ora surpreendem com movimentos de desequilíbrio quando procuram zonas interiores, surgindo depois a procurar triangulações nas imediações da área. Velocidade e imaginação que torna quase impossível qualquer esquema de marcação para os travar.

AS DUAS LINHAS DO MEIO CAMPO: O mundo dos trincos e o vagabundo Danilo

SÃO PAULO CAMPEÃO DO MUNDO 2005Com as asas propulsoras do onze entregues, nas faixas, aos laterais Cicinho-Junior, o motor do onze reside no corredor central numa dupla de trincos-volantes com capacidade bífida para recuperar a bola e iniciar, depois, a transição ofensiva. Uma missão a cargo da dupla de cabeças de área Mineiro e Josué, dois pêndulos da equipa. Á frente da defesa, Josué, tacticamente perfeito, é a âncora do onze, pautando o seu ritmo de jogo. Outra opção nesse posto é Renan, que também pode encostar aos centrais. Mais adiantado quando recuperada a posse da bola, Mineiro é um transportador incansável. Corta, passa, marca e está sempre no caminho da jogada para servir de apoio, surgindo também, muitas vezes, inserido nas movimentações ofensivas, onde surgem como principais referências o dinâmico Souza, que joga sobre a direita, e, sobretudo, o esquerdino Danilo, a principal referência da equipa na chamada zona de construção. Fisicamente resistente, parte da faixa esquerda, executando desde aí diagonais de penetração, procurando zonas centrais para rematar ou servir os avançados. Um médio de combate, com técnica e capacidade de choque, que seria ideal para o futebol europeu.

AS ARMAS ATACANTES: O velho Amoroso e a serpente Tardelli

SÃO PAULO CAMPEÃO DO MUNDO 2005No ataque, emerge como principal caçador de golos um experiente caminhante da grande área que fez carreira na Europa: Amoroso. Nove anos depois está de regresso ao Brasil. Gosta de furar pela esquerda, surgindo depois na área em passada larga, sem medo dos lances divididos e com grande facilidade de remate, muito ágil e astuto a fugir ás marcações. Neste cenário, o homem mais indicado para complementar as características de Amoroso, é o esquivo Diego Tadelli, uma serpente que se refugia nos flancos, sobretudo o direito, para depois arrancar desde trás, em velocidade e zigzags, desequilibrando as defesas adversárias No Mundial de clubes, já surgiu, porém, o mais recente reforço paulista: Aloísio, vindo do At.Paranaense, após várias épocas na Europa (Em França, no PSG e St.Etienne, na Rússia, no Rubin Kazan). É um avançado muito semelhante, no estilo e na forma de jogar, com Amoroso. Forte, gosta de jogar em cunha entre os centrais e, sempre de olhos na baliza, está permanentemente em busca de um espaço para rematar.

O onze que conquistou o Mundial de clubes. (Sistema: 3x5x2)

Final : São Paulo, 1-Liverpool, 0 (golo de Mineiro)

SÃO PAULO CAMPEÃO DO MUNDO 2005