São Paulo: Há vida táctica no Brasil

06 de Setembro de 2014

São Paulo Há vida táctica no Brasil

São Paulo, a sensação do 2° semestre do futebol brasileiro

Desde a chegada de Kaká e Alan Kardec, o São Paulo Futebol Clube passou a ser uma das maiores sensações do futebol brasileiro. Além destes dois jogadores que já passaram pelo futebol europeu, no time titular são paulino conta com somente Paulo Miranda, Edson Silva, Rogério Ceni e Paulo Henrique Ganso que nunca atuaram na Europa. Porém os dois últimos, pelos seus históricos de apresentações na Seleção Brasileira e em torneios internacionais, não apresentam falta de compreensão do jogo. Deste modo, percebe-se que a equipe titular do São Paulo é bem experiente taticamente.

Muricy Ramalho –técnico do São Paulo-, ao notar que o seu time tinha um potencial tático enorme, alterou a dinâmica da sua equipe. Do 4-2-3-1 estático, o Tricolor Paulista passou a usar um 4-4-2 disposto à compensações táticas em momentos oportunos. Neste 4-4-2, normalmente, o São Paulo atua desta maneira:

 São Paulo Há vida táctica no Brasil

O 4-4-2 do São Paulo, desde as chegadas de Alan Kardec e Kaká.

Em situação defensiva, o São Paulo se defende no 4-4-2, de forma compactada em curto espaço e com as linhas dos setores próximas uma das outras, assim como mostra o flagrante adiante:

São Paulo em situação defensiva: 4-4-2 compactado em curto espaço e com as linhas dos setores próximas.

Como neste time, os wingers não apresentam tanta intensidade defensiva, o atacante Alan Kardec é quem faz as compensações táticas para que o São Paulo fique organizado defensivamente. O camisa 14, invariavelmente, ocupa um dos lados do meio-de-campo tricolor e, ao perceber que Alan Kardec está na posição, o winger, que estava naquele lado, centraliza e o Tricolor Paulista passa a se defender no 4-2-3-1. A imagem a seguir mostrará a compensação defensiva que o camisa 14 faz em campo:

 São Paulo Há vida táctica no Brasil
Com Alan Kardec ocupando a função do winger da esquerda, Kaká centralizou e passou a formar um 4-2-3-1 em ação defensiva para a equipe sãopaulina.

Para transitar da ação defensiva para a ofensiva, o São Paulo procura sair jogando através de passes curtos e pelo lado do campo. Porém, esta saída não acontece com os laterais, mas por outro jogador que estiver no setor.
No início da saída de bola do Tricolor Paulista, o lateral do lado em que a bola estiver avança muito sem ela. Com este avanço, este lateral atrai a marcação do winger adversário e abre espaço para qualquer outro jogador paulista ocupar o espaço e iniciar a saída de jogo do time. Veja no flagrante a frente, a movimentação inicial do time para transitar ofensivamente:

 São Paulo Há vida táctica no Brasil Com o lateral-esquerdo, Álvaro Pereira, avançando muito sem bola e atraindo a marcação do winger adversário, Edson Silva e Kaká passaram a ocupar o espaço cedido pelo o avanço do seu companheiro. Com este espaço, as movimentações seguintes, o São Paulo frequentemente chega ao gol adversário.

Após um jogador ocupar o setor cedido pelo lateral, as movimentações dos outros jogadores do sistema ofensivo tricolor passam a acontecer em seguida: Alan Kardec e Ganso aparecem como opções curtas, o lateral que passou se projeta em direção à linha de fundo e Alexandre Pato se projeta ao lado oposto. A ilustração adiante mostrará todo explicado anterior:

 São Paulo Há vida táctica no Brasil Pelo o exemplo da imagem, após Kaká receber a bola, Alan Kardec e Ganso são opções de passe curto, Álvaro Pereira de passe em profundidade e Alexandre Pato de virada de jogo. Ou seja, após o recebimento no setor criado pelo avanço sem bola do lateral, o winger que recebe a bola tem quatro opções de jogo. Deste modo constantemente o São Paulo chega ao campo ofensivo.

O sistema ofensivo do São Paulo é composto por Kaká, Ganso, Alan Kardec, Alexandre Pato e mais somente um lateral. Os três aspectos deste sistema tricolor são: passes curtos, constante movimentação sem bola e procura de superioridade ofensiva no setor da bola. Com estes aspectos, o Tricolor Paulista consegue progredir frequentemente. A imagem a seguir mostrará a superioridade numérica no setor da bola formada por quatro jogadores do São Paulo:
 São Paulo Há vida táctica no Brasil
Nesta imagem em campo ofensivo, Ganso, Alexandre Pato, Álvaro Pereira e Kaká se aproximam para criar superioridade numérica no setor da bola (o retângulo azul). Com mais jogadores no setor, o São Paulo consegue sair mais facilmente da marcação adversária.

Já a transição ataque-defesa do São Paulo acontece com rápida troca de ação de jogo já dos seus atacantes. Uma vez que eles perdem a bola, Alexandre Pato e, principalmente, Alan Kardec já aproxima rapidamente para que o sistema defensivo tricolor passe a se formar. Com estes dois atacantes participando rapidamente, o posicionamento defensivo no 4-4-2 é facilmente montado. No flagrante à frente, a imagem do posicionamento defensivo do Tricolor Paulista:

 São Paulo Há vida táctica no Brasil  Com os atacantes atrasando a transição defesa-ataque adversária, as duas linhas de 4 defensivas do São Paulo são montadas com mais tempo.

Em bolas paradas defensivas, o São Paulo marca por zona. Deste modo, o Tricolor Paulista posiciona os seus jogadores onde geralmente saem os gols e, assim, tendo jogadores onde nas zonas mais perigosas.

 São Paulo Há vida táctica no Brasil Em cantos defensivos, o São Paulo marca por zona e posiciona os seus jogadores onde as chances de gol sofrido são maiores.