Sem sentir falta das “rastas”

11 de Maio de 2016

Neste ponto da época, não é possível entrar muito forte num jogo que se pode tornar mais....longo. Isto é, que não sendo resolvido dessa forma nesse inicio, leve os momentos decisivos para fases adiantadas dos 90 minutos em que a equipa já consegue imprimir então um ritmo tão alto ao seu jogo. Por isso, a entrada dita mais calculista frente ao tacticamente enigmático “Marítimo sem ponta-de-lança” e com Fransérgio teoricamente nesse espaço mais adiantado.

Quando à passagem da meia-hora Jonas inventou sozinho uma jogada desde a faixa e estourou com a bola na barra, sentiu-se que o poder de mexer com o jogo (mudando-lhe o ritmo e os contornos, entenda-se fazer “dançar” a organização defensiva madeirense) estaria nos pés do “suspeito do costume”. A sua influência no jogo é suprassistema. Ultrapassa a própria equipa na forma como é ela que vai atrás dele. A organização-Rui Vitória sente-se noutros pontos do onze, no seu “jogo posicional”, a atacar trocando a bola ou no posicionamento defensivo.

O desafio táctico foi criado com a expulsão de Renato Sanches. Deixava de existir “o pulmão com rastas” do meio-campo e Pizzi tinha de funcionar pelo meio em inferioridade numérica (ficou quase um 4x2x1x2). Ao mesmo tempo, pairava no ar uma questão que parecia esquecida: poderia este Marítimo meter um contra-ataque perigoso? Nunca o fez, mesmo quando já tendo em campo um 9 de verdade (Dyego Sousa)
Perante 45 minutos para ganhar e levar intacto o primeiro lugar para o último jogo, não mexeu no que restava da sua “estrutura menos um jogador” e encontrou a vantagem (o golo) porque tem na frente um especialista em apanhar “bolas perdidas”, Mitroglou, o jogador “no fim do sistema”.

Meter Talisca no jogo tem representado nestes tempos tácticos que correm em meter mais um jogador para correr pelo meio-campo. Sabe-se que não vai ter muita cultura posicional, mas sabe-se que vai andar por esses terrenos. Samaris podia dar taticamente mais em termos de equilíbrio mas mete-lo antes do tempo daria um sinal de contenção cedo demais. Só entrou mesmo quando a equipa já não conseguia pensar tacticamente em segurança. Foram curtos minutos.

Se Jonas é, no jogo, um jogador “suprassistema”, Mitroglou é, em campo, um jogador no “fim do sistema”. Esta pode ser uma tradução da influência, estilo e posicionamento de ambos nos movimentos estruturais do jogar benfiquista.
Sem fazer muito ruído, assegurou o normal funcionamento do seu sistema táctico-mental num jogo em que pairou a estranha sensação de se ter tornado, mesmo estando em inferioridade numérica tanto tempo (ironicamente o tempo em que chegou a 0-2) no jogo fisicamente mais cómodo dos que disputou últimos tempos.