Ser “feliz” a defender

24 de Junho de 2012

PLANETA DO EUROPEU (18)

É comum falar da superioridade moral do futebol de ataque. Esteticamente até entendo, mas, em campo, a vida futebolística não é assim tão simples. Uma equipa não deve ser só feliz a atacar, também o deve ser a defender. O problema é que quando neste Euro se fala numa equipa defensiva, logo se imagina a trincheira grega. É redutor para pensar o que é uma equipa a defender. Porque todas o têm que o fazer em determinados momentos do jogo. Mesmo as mais fortes, que imaginamos sempre a atacar. Como a Alemanha. Desta forma, a presença física dos avançados é importante para ser feliz a defender em campo.

Atenção que quando falo em avançados a defender, não estou a falar em pressão alta ou bloco subido. Isso é outra questão. Falo na primeira presença que condiciona a saída de bola adversária. Os avançados alemães fazem isso muito bem (Gomez ou Klose crescem para o defesa que quer sair com a bola). São essas as equipas com mais autoridade.

A questão grega é puro bloco-baixo, mas mesmo essa colocação não lhe garante robustez defensiva se não defender bem com os...avançados. Viu-se com a Alemanha, quando meteu no ataque o pouco rotativo Ninis (que não fecha a defender). Sem essa primeira presença (que Salpingidis garante) a equipa começou a ruir desde o inicio com sucessivas oportunidades alemãs criadas em construção fácil desde trás.

Portugal coloca Ronaldo fora desse momento, mas confia no nº9 (Postiga) para forçar o adversário a sair pelo lado esquerdo (direito do nosso processo defensivo) para proteger a menor recuperação defensiva à esquerda. O meio-campo português é, porém, dos que, a seguir à Espanha, melhor pressiona neste Euro. De resto, fala-se muito na importância da pressão (sobretudo alta) mas, no geral, vejo equipas a pressionar pouco. Têm antes tendência a bascular em função para onde a bola roda e defender em organização. A Inglaterra é o caso mais contra-natura. Fala-se muito na tradicional alta intensidade do jogo inglês e, depois, vemos a sua seleção como das que menos pressiona do Euro. Sem bola, logo organiza e espera. Não acredito que seja feliz a defender assim.

Talento em duvida

À medida que se despedem do Euro, percebemos melhor, pela sensação de vazio que deixam, os jogadores de que mais gostamos. Modric, claro, é a referência-mor. No oposto, o que me desiludiu mais, foi Eriksen, médio ofensivo quase segundo avançado da Dinamarca. Fico a pensar que o local onde vemos esse talento emergir durante a época pode ás vezes criar ilusões de óptica. Nesse aspecto, a Liga holandesa (defensivamente fraca) será das que engana mais. Não acho que Eriksen, estrela do Ajax, seja um caso desses, mas dá que pensar. Intensidade baixa: rapidez de execução entre-linhas. Intensidade alta: jogo posicional sem profundidade.

Sem duvidas, fiquei com vontade de seguir Konoplyanka e Yarmolenko, os alas que gostam de jogar por dentro na Ucrânia, Strinic, lateral croata (joga no Dnipro russo) e na Polónia (para além, claro, da modelo Natalia Siwiec) de seguir o nº9 Lewandowski, embora, neste caso, fiquei com uma duvida: não passa um defesa em drible um-para-um (vai chocar com ele), só se embalado em velocidade, altura em que passa por ele em progressão. Fixem-se nisso quando o voltarem a ver.