Será o Euro da melhor “equipa táctica”?

30 de Junho de 2016

Os quartos-final juntam as melhores oito melhores seleções deste Euro. Será a forma mais simples de olhar para esta fase, mas faz pensar porque não estão entre elas as duas seleções que mais se começou por elogiar pela estética de jogo: Espanha e Croácia. Foram ambas eliminadas pela maior dimensão táctica de quem os defrontou, Itália e Portugal. Aprisionaram-lhe os melhores poetas, Iniesta e Modric. Nesses dois jogos, mal tocaram na bola em zonas de perigo. Irá este Euro consagrar a melhor “equipa táctica”? Penso que esta poderá ser uma das melhores formas de olhar para este torneio.

Não é um Euro para individualidades e mesmo os melhores criativos têm que saber viver nesse “mundo táctico” sem reclamar muito. A Bélgica será o ultimo resistente dessa expressão (Hazard é o maior resistente dessa “guerra de trono de estilo”) mas mesmo o onze belga vive no dilema entre meter mais um médio “pica-pedra” (como o gigante Fellaini) para tornar a equipa mais competitiva. A França junta Payet e Griezmann mas contra o “exército islandês” de táctica e gelo no jogo, irá endurecer taticamente o discurso através do seu meio-campo Kanté-Matuidi-Pogba.

Em rigor histórico, só restam três “monstros”. Alemanha, Itália e França. E dois deles vão defrontar-se entre si. Os intrusos são Gales e Islândia mas nenhum deles é um “objecto misterioso” nesta fase depois do que jogaram, sobretudo o rigor do 4x4x2 islandês, enquanto Gales tem sido a “terra de Ramsey”, um médio, claro.

A queda da Espanha mais do que a simples eliminação duma simples seleção forte põe em causa um ciclo de domínio dum estilo de futebol que, desde 2014, sentia-se abalado nos pilares da sua operacionalização. É um problema de jogadores para o interpretar no sentido da inteligência e perfil de alguns que foram inseridos nele sem, nas suas características, o perceberem bem.

O caso mais perturbante, porém, é ver como um dos que o devia perceber melhor é, talvez, quem hoje se percebe pior a si próprio: Fabregas. Não consigo perceber em que tipo de jogador se tornou. Deixou de saber o seu melhor local em campo. A cada jogo que passa. É uma boa forma individual de refletir sobre a indefinição de pensamentos e estilos em que caiu o futebol europeu.

E a “máquina” alemã?

A Itália tem sido a seleção mais “completa” (táctica com carácter e técnica) mas todos pressentimos que a maior ameaça vem sempre da Alemanha. Nem precisa de estar a jogar muito bem para sentir isso. Basta ”serem alemães”. O jogo com a Itália é o desafio supremo ao poder deste onze germânico de Low em quem revejo um patrão claro em campo, Kroos, mas tenho a duvida de saber até que ponto o trio Muller, Ozil, Draxler vai crescer para marcar a diferença ao nível do que tem de ser uma verdadeira seleção alemã que, por mais tecnicistas que os seus tempos modernos de estilo tenham, gerado, sinto sempre a jogar, a pisar a relva, de “botas cardadas”.

Acrescentar um ponta-de-lança clássico, como o possante Gomez, dá mais sentido ao jogo coletivo, mesmo que ele toque poucas vezes na bola, em vez de insistir com os movimentos dóceis do “falso 9” Gotze. A oa maior duvida é perceber se Kimmich é o lateral-direito que este onze precisa. Há a tentação de o ver como um “projeto de Lahm”, mas acho isso um exagero. Como Hector sobe bem na esquerda, o encaixe do central Howedes no outro flanco parece-me tacticamente mais robusto e com sentido.

A “máquina alemã” está em andamento.