SERÁ QUE TUDO A QUE ASSISTIMOS É VERDADE?

29 de Julho de 2014

Estamos a assistir a um Mundial feito de grandes impactos. Isto é, cada jogo parece que nos dá uma sensação nova que não esperávamos e faz-nos repensar as coisas. Tácticas, equipas, jogadores, tudo. O México caiu numa espécie de “tempo suplementar”, os últimos quinze que mudaram o jogo após a paragem, e no fim o treinador “piojo” Herrera não fugiu a como o sentido das coisas mudara de um momento para o outro: “passámos a jogar muito atrás. Erramos a deixar só um jogador na frente”. Lapidar.

A Holanda que parecia um sonâmbulo durante a primeira parte mudou quatro vezes de sistema ao longo do jogo. Van Gaal é, sem dúvida, o “camaleão tático” deste Mundial. E a equipa, nessa parte final, posicionou-se melhor ofensivamente, com Robben desde a direita, Huntelaar nº9 tradicional, Sneijder a 10 mesmo junto à área, e Depay (atenção a este “orange kid”, 20 anos, que vai ser um grande jogador para explodir em qualquer parte do mundo) na ala esquerda. O barco holandês estava a afundar-se quando os “piratas do talento” (Sneijder-Robben) o resgataram.

E por este ultimo parágrafo esteve a palavra chave de tudo. Porque a táctica (a organização tática), qualquer equipa, mesmo a mais modesta, pode-a construir. Agora, o talento individual, esse, ou se tem ou não se tem.

Esta conclusão inspira logo a pensar noutro jogador. James. A sua Colômbia continua e emoldura-lo em bom futebol mas o 4x4x2 com que jogou frente ao Uruguai (tirando Ibarbo, a “montanha” de ataque e recuo a fechar) foi um “rombo táctico” no coletivo “cafeteiro” que pode, contra um adversário mais forte (vem ai o Brasil) desequilibrar a equipa em momentos chave do jogo sem bola.

Ás vezes até parece que tudo está a sair demasiado fácil e natural a James para ser tudo verdade. Sim, sem dúvida, nós já o conhecemos, mas aquelas fintas dançantes com simulação e remates de longe em rotação sem deixar cair a bola parecem cenas do “Blade Runner”. E para encaixar na ultima frase, dita por uma das suas mais fortes personagens, um “replicant”: “vi coisas em que vocês humanos nunca imaginariam, nunca acreditariam”

OS DEUSES VIRAM O JOGO

SERÁ QUE TUDO A QUE ASSISTIMOS É VERDADEA Grécia caiu, o sonho da Costa Rica prossegue, mas o mais incrível deste duelo foi ver a Grécia do estilo defensivo que aproveita o erro cair no jogo em que mais dominou e foi superior ao adversário. De repente, o jogo parecia uma ironia dos Deuses do futebol (acredito que existam e vejam os jogos numa nuvem por cima da tribuna presidencial).

A Grécia atacava e do outro lado era como que se visse ao espelho. Ou seja, via reflectida na outra equipa aquilo que costuma ser a sua estratégia (bloco baixo, coberturas a meio-campo e três avançados, dois em diagonais). Fernando Santos mexeu na equipa o mais que pode. Ou melhor, mexeu nos jogadores, no fundo a única forma dele mudar a dinâmica do onze, mudando as características dos jogadores. A maior presença de Gekas a 9 em vez das corridas de Salpingidis, o apoio físico de Samaras, as subidas do lateral Holebas.

A Costa Rica estava inferioridade numérica, mas só tinha menos um jogador a...atacar. A defender até pareciam mais. Fechou-se num casulo, aguentou e passou nos penaltys, numa defesa de Navas que parecia ter um braço de dois metros. Será que não teve mesmo nesse lance?