Serão Çalhanoglu e Junuzovic os últimos 10 do futebol europeu?

03 de Abril de 2016

Foi quase como resgatar um duelo entre velhos nº10.
Na Áustria, Junuzovic. Na Turquia, Çalhanoglu. Na dinâmica de jogo têm, claro, obrigações táticas que lhes retira o estado puro dessa posição mas nos traços individuais (que a cada bola que tocam metem no jogar colectivo) soltam esse aroma.
Jogando no meio, à frente de Baumgartlinger-Alaba, duplo-pivot de marcação e saída de bola, Junuzovic tem o habitat central mais puro. Joga a um-dois toques no passe ou procura remate. É forte nas mudanças de velocidade mas neste onze austríaco tem um jogo mais posicional. Corre menos mas joga mais porque nota-se sobretudo o seu... pensamento no jogo (e execução tático-técnica posterior)
Çalhanoglu começa (como em Leverkusen) a partir duma faixa, até porque a Turquia tem um 10, Ozyakup (não possui, porém, o rasgo de Çalhanoglu que a parece no espaço 10 em diagonais. É, porém, daqueles talentos que mesmo amarrado, seria sempre um 10 no sentido de “pego na bola para pegar no jogo”. Na segunda parte, Ozyakup saiu e Çalhanoglu foi então mesmo para o meio (entrou Volkan Sen para extremo)junuzovic

A seleção turca é hoje das que me está a criar mais expectativa porque é aquela em que noto maiores diferenças nas intenções de jogo. Em vez da vertigem de verticalizar o jogo de imediato em profundidade, está mais coesa (bloco unido-linhas mais juntas) nos três sectores.
O onze não tem trincos puros (Selçuk Inan quer jogar) e Ozan Tufan é hoje, a nº8, quem lhe dá mais equilíbrio sem bola entre os médios. No coletivo, porém, não tem cultura defensiva posicional por natureza à frente da defesa. Um traço que colide com esta evolução na noção de bloco que torna a seleção de Terin mais competitiva. No resto, mantem a qualidade técnica individual (com um nº9 possante. Tosun ganhou o lugar) e assim fica “mais equipa”.
Na base da sedução, em ambas as seleções, a nostalgia dos nº10 reaparecidos.