Sheffield: A construção táctico-emocional de Carvalhal

18 de Janeiro de 2016

As vitórias na Taça da Liga, sobretudo ao Arsenal, foram o que motivaram mais destaques e páginas mas seguindo de perto o percurso de Carvalhal em Sheffield conclui-se que o seu grande trabalho está muito para além disso, escondido jogo após jogo na dura e competitiva II Liga inglesa, onde após um inicio difícil, construiu uma equipa que hoje demonstra uma coesão, equilíbrio e competitividade táctica de grande qualidade solidificada, aquilo que lhe permite, jornada após jornada, manter-se na luta pelos lugares de subida.
Muitos artigos falam do carácter da equipa e de como Carvalhal soube pegar em todo o ambiente até os adeptos lhe fazer uma canção e os jogares aparecerem tantas vezes a trocar sorrisos e toques cúmplices com ele em treinos e jogos.
É uma face importante, decisiva na vontade dos jogadores mas, em campo, vendo a equipa jogar, viu-se uma transformação táctica desde um 4x3x3 que não descolava para um 4x4x2 bem distribuído em largura, equilibrado a defender e rapidamente solto a sair para atacar, criando desequilíbrios no adversário, que mudou a equipa.
Ter um segundo-avançado como Forestieri foi decisivo pra a alteração e até Lucas João, que só imaginávamos como um nº9 de referencia e até algo torpe, melhorou muito. Joga em dupla nos apoio e desmarcações e faz muitos golos.
Nas faixas, mantem a velocidade de saída com Wallace a destacar-se na direita. A “raça técnica” objetiva que mete em cada lance assusta os defesas adversários, ficando Bannan a pegar jogo desde a outra faixa, num meio-campo que baixou de estatura mas cresceu de qualidade de jogo. No duplo-pivot, seguro posicionalmente e com critério a sair, destaca-se Kieran Lee como “segundo médio”.
A cada jogo, a equipa joga com mais certezas. No plano inicial e na reação ao jogo. Dois momentos que espelham bem o trabalho “táctico-emocional” de Carvalhal no coração do futebol inglês.