Só há uma forma de um (bom) jogador poder crescer

18 de Janeiro de 2016

Sem o seu nº10 criativo, o “serpentado” Otávio, o Vitória de Sérgio Conceição reformulou o desenho tático preferencial e montou um 4x4x2 compacto que baixava a defender mal perdia a bola e criava uma “trincheira branca” nos últimos 30 metros na qual os médios e avançados do FC Porto (criativos ou metódicos, verticais ou circulares) nunca conseguiram furar. No jogo de “abrir e fechar espaços”, meteram um “cadeado” nessa zona.

A “estrutura branca” mudara mas num ponto os seus pilares nunca se movem: o duplo-pivot à frente da defesa. Se, em jogos que a equipa tem de sair mais para o jogo tal condiciona o seu inicio de construção, nos jogos em que o decisivo é manter esses posicionamento imperturbável e ganhar todas as “segundas boas” nessa chamada zona entrelinhas (entre os seus médios e defesas) essa dupla é o “cofre-forte” da estratégia da equipa.
Assim foi contra o FC Porto após ter marcado logo no inicio. Um golo que entrou na cabeça dos jogadores e nunca mais saiu durante os restantes 87 minutos.
Nesta leitura especifica do terreno-chave em que se disputou o jogo, este Vitória assume cada vez mais um jogador como o seu guia espiritual: Cafú. A sua “raça” já era conhecida, o crescimento táctico natural, o upgrade de execução técnica já é mais surpreendente. Tudo isto cruzado faz dele quase um prolongamento do treinador em campo.

Não era por acaso que quando o jogo parava o homem que Sérgio Conceição chamava para dar indicações junto ao relvado e depois as ir transmitir aos colegas era ele, Cafu, o novo dono das chaves do “castelo tático de Guimarães”.
Os jogadores podem crescer de diversas formas mas só quando cruzam estas diferentes dimensões (táctico-fisco-técnico) é que crescem mesmo para em vez de terem só “qualidades” passarem a ter “qualidade”. Parece a mesma palavra mas é muito diferente. Aplica-se aos jogadores, aplica-se às equipas.