Sobre

Luís Freitas Lobo

Nasci em 1967, em altura de defeso futebolístico, dezoito dias depois do Celtic de Stein ter vencido o Inter de Herrera na Final da Taça dos Campeões, no Jamor, num ano em que Eusébio marcara 31 golos e a Académica lutara pelo titulo até perto do fim. Em 1970, portanto, já estava presente para testemunhar as maravilhas de Pele, Jairzinho, Tostão e companhia no Mundial do México. Ainda não conseguia, no entanto, ver os jogos sob uma perspectiva táctica. Agora, como os tenho todos gravados na minha colecção particular de vídeos, vejo-os religiosamente. Mesmo os de tempos ainda mais remotos. Como se viajasse no tempo e visse Puskas da mesma forma que hoje vejo Kaká.

Para mim, mais do que cinco continentes e sete mares, o mundo é um infinito conjunto de campos de futebol com muitas casas á volta. Desde 1997 que tenho procurado, em várias publicações, passar essa emoção da pena para o papel. De O Jogo, Revista Mundial e Publico, Expresso, A Bola, Bíblia com que em menino aprendi a escrever lendo Mestres como Vítor Santos, e agora, de regreso, a OJOGO. Na rádio da Antena 1 à TSF, na televisão, da SIC N, RTP, onde me fiz verdadeiramente, até à SPORT TV, onde hoje estou. Todos os dias penso em futebol. Por isso, em qualquer local, falo ou escrevo sobre futebol, partindo sempre da única forma que o entendo ser possível conceber: com emoção. Este site é feito da mesma matéria. Emoções descobertas tanto nas jogadas de Pelé ou Maradona, como nos gestos dos meninos descalços nos baldios de Buenos Aires, Rio de Janeiro, Moçambique ou Bombaim. Desde o primeiro olhar, venho coleccionando memórias, sonhos e emoções. No fundo, é isso que me fez, desde miúdo, ter vontade de escrever e falar de futebol, na sua vertente artística, táctica, razão e emoção, sempre num cruzamento entre a cultura e o desporto, a arte e o futebol. Casamentos que considero essenciais para o entender dentro e para além das quatro linhas, descobrindo Sheakespeare em Bobby Charlton, Gardel em Maradona, ou Rembrandt em Cruyff.

Um jogo de emoções, as quais, como uma vez li escrito num estádio argentino: “quem não sente, não entende!”.