“Sombrero” de belo futebol

14 de Julho de 2011

“Sombrero” de belo futebol

O México é um grande país de futebol que necessita, cada vez, encontrar a melhor forma e local para os seus jogadores crescerem. Encurralados num quadro competitivo pouco estimulante (CONCACAF) ou a jogarem na sua interna Liga asteca, emocionante mas sem projecção internacional, muitos dos seus talentos acabam por perder-se no seu processo de maturação ou até tentativa de afirmação na Europa, onde chegam depois sem o ritmo ideal para encaixarem nela. É o primeiro pensamento (receio) que tenho vendo jogar a bela selecção mexicana campeã mundial Sub-17 2011. É um sentimento talvez influenciado pelo sucedido pelos seus antecessores campeões na categoria (em 2005, o onze-geração de Vela e Giovani). Parecem todos ir perdendo peças à medida que vão avançando na carreira.

Vejo o jogo a Final no sumptuoso Asteca (100 mil pessoas, uma imensa onda verde) e enquanto admiro, para o Observando as Estrelas, a maturidade e qualidade de jogo do nº7 Jorge Espericueta, pergunto-me mas onde estará este talento daqui a uns anos? O meu receio é ele acabar como descrevia no primeiro parágrafo do texto. Solução alternativa? Talvez faze-lo crescer agora num clube da Liga holandesa, francesa ou belga, subindo-o aos poucos à primeira equipa, pois só faz 17 anos em Setembro. Antes dizia-se que quanto mais tarde um jogador sair de casa, melhor. Agora, já não tenho tanta certeza disso. Sobretudo nestes casos. Este seria, no entanto, um debate mais profundo e não só para duas ou três linhas.

“Sombrero” de belo futebolOlhando o sedutor 4x4x2 mexicano Sub-17 destacou-se um belo avançado Carlos Fierro (do Chivas, 17 anos este mês). Com técnica e habilidade, objectivo e com grande cultura de movimentos e resolução das jogadas, gostando sobretudo de cair sobre a meia-esquerda e surgindo oportuno na área.

O início de segurança da equipa esteve, porém, atrás, num defesa-central que parecia já cinco anos mais velho. Briseño (do Atlas).

Sentido posicional a defender, forte nas bolas paradas. Foi ele que comandou a linha de «4» defensiva onde os laterais jogaram mais fixos, respeitando as posições e resistindo a algo comum nestas idades que é sair facilmente da posição e desequilibrar a equipa nesse ânsia natural de participar no jogo e atracção pela bola. Com esta disciplina defensiva, o meio-campo pode-se soltar mais e ganhar o protagonismo correcto que deve ter na construção de jogo de uma equipa. Soltou-se o arquitecto Espericueta e sobretudo Julio Gomez (do Pachuca), cativante pela vocação de organizador mesmo vindo da ala direita do sistema.

Um conselho: Metam o DVD da Final, ouçam com uns phones o Cielito lindo e vejam-nos jogar ao mesmo tempo!