“Sombrero” de bom futebol

29 de Março de 2013

Sombrero de bom futebol

A CONCACAF, América do norte, central e Caraíbas, parece ficar muito longe para ir à procura de bom futebol, mas a verdade, é que, por essas paragens, escondem-se muitos bons jogadores e jogos emocionantes. Os relvados mexicanos, a sua Liga , são o melhor território para fazer essa apaixonante busca. Com sombrero, tequilla e mucho fútbol.

Rumo aos play-offs decisivos, entretanto dominam também a Champions da CONCACAF onde fica claro o domínio dos clubes mexicanos sobre os dos EUA, forças emergentes, mas sem a mesma maturidade competitiva.

Entre os onzes mexicanos, o Santos Laguna de Caixinha, a caminho da final, mas, sobretudo, para além dos resultados, exibindo um projeto de jogo que tem cativado os adeptos e analistas mexicanos após a desconfiança inicial. No contexto do futebol azteca, Caixinha inovou apresentando um 4x4x2 losango que não é muito comum nestas paragens, com a largura de jogo a ser criada através do toque/passe, até acelerar na frente, com um vértice ofensivo que faz a diferença, o colombiano Quintero. A equipa tem pedigree competitivo e aos poucos 'acultura' este novo estilo, com Rodriguez a pautar o ritmo a pivô, Crosas (espanhol feito nas escolas do Barça) na meia-esquerda, Salinas na direita e o lugar 10 para Quintero (que também pode jogar na dupla da frente) ou Calderón. Na frente, Peralta é uma instituição (olímpica) goleadora e o americano Herculez Gomes, o tipo de avançado mais em força que joga por toda a frente de ataque.

Depois de um arranque em que se apontava Tigres e América como, talvez, as equipas mais fortes, a fórmula-Caixinha está a cativar o México. Em busca do melhor ritmo de jogo, continua o campeão Toluca, onde o nº10 Zinha (brasileiro internacional mexicano) continua, aos 36 anos, a ter um papel excessivamente importante visto que, embora tenha grande visão de jogo e passe, torna o jogo muito lento. As acelerações são feitas muito por El Pássaro paraguaio Benitez numa faixa e, no meio, pelo brasileiro Lucas Silva, que transporta jogo.

El Chuchu e o Chupete

O América parece a equipa mais forte, com El Chuchu Benitez no ataque (4x1x3x2) e Medina a explodir sobre a faixa direita. Muito interessante é ver jogar o Atlas (também 4x2x3x1) com o coelho Brizuela na direita e Omar Bravo como falso ala esquerdo a jogar em diagonais, aparecendo junto do ponta-de-lança mais lutador da relva mexicana, Vuoso, um nº9 que parece saído de um ring de wrestling.

Jogando muitas vezes num sistema de três centrais (3x5x2) o Tigres conta com a experiência de Salcido à frente desse trio defensivo e com dois médios que se complementam muito bem na garra (El gringo Torres) e organização/ruptura (Lucas Lobos) revelando muita qualidade de jogo e deixando o ataque entregue à experiência do espanhol Luís Garcia. Na direita, Danilinho enche o corredor a atacar dando grande profundidade.

A outra equipa que ainda luta na Champions é o Monterrey, com, talvez, a dupla atacante mais experiente: De Nigris, forte a procurar espaços, e o chileno El Chupete Suazo. Impressionante o nível que atinge no futebol mexicano (depois de em Espanha ter parecido pouco intenso). No México faz o que quer. Segura a bola, passa, avança, aparece como nº9 puro, remata e faz montes de golos, muitos deles fantásticos. Um caso claro de um jogador que necessita de habitat próprio para respirar. Duvido que se regressasse à Europa, viesse este mesmo Chupete mexicano. No leme do onze, o pivô Zavala e o equatoriano corre-caminhos Ayovi.

Estarão por aqui as oito equipas que irão passar aos play-offs (jogos a duas mãos de eliminação direta) para apurar o campeão do Clausura. Vale a pena, insisto, comprar uma parabólica só para ver, madrugada dentro, estes jogos (com estádios cheios e emoção permanente) da Liga mexicana. Este ano com um losango que surgiu dentro de uma caixinha para ameaçar os poderes tácticos estabelecidos. É o Santos Laguna com sotaque português.