SPORT CLUB CORINTHIANS

04 de Dezembro de 2000

SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA
Grande clube do futebol brasileiro, simbolo da arte paulista que atravessou o século, dede os anos 20, com Gambarrota e Grané, até ao titulo mundial de 2000 com marcelinho Carioca, pasando pelos anos 70 com Rivelino, e, na década de 80, pela fascinante democracia corinthiana, uma história de futebolistas insubnissos que desafiaram a ditadura brasileira: Sócrates, Casagrande,Zanon, Paulo César Lima, Wladimir, entre outros, heróis que entusiasmaram todo um país e assustaram o regime militar.

Fundado em 5 de Setembro de 1910
Onde joga: Estádio Alfredo Schuring (Parque São Jorge)
Campeão brasileiro: 1990, 1998 e 1999.
Copa Brasil: 1995
Campeão paulista: 1914, 1916, 1922, 1923, 1924, 1928, 1929, 1930, 1937, 1938, 1939, 1941, 1951, 1952, 1954, 1977, 1979, 1982, 1983, 1988 e 1995
Torneio Rio-São Paulo: 1950, 1953, 1954 e 1966
Campeão do Mundo de clubes: 2000

SPORT CLUB CORINTHIANS A Democracia CorinthianaNo inicio do século, quando o futebol começava a apaixonar os corações brasileiros, existia, em S.Paulo, nessa época longe da selva de pedra em que hoje transformou, um pequeno clube chamado Botafogo do Bom Retiro. Era um modesto time, mas os seus jogos acabavam quase sempre em verdadeiras batalhas. Face ás constantes confusões que, ganhando ou perdendo, os seus jogadores provocavam, a polícia paulista acabou por decidir fechar o clube. Um ano depois, visitava o Brasil em digressão um famosa equipa britânica, amadora mas de grande nível técnico, chamada Corinthian FC, que, num dos jogos, defrontou e venceu o Palmeiras, por 2-0, praticando um futebol impressionante, sobretudo para os olhos de cinco espectadores, sentados na bancada, com semblante amuado. Esses homens eram, tão só, antigos jogadores do extinto Botafogo, e agora, na maioria, operários dos caminhos de ferro de São Paulo. Foi então que, passado algum tempo, reunidos na barbearia de Salvador Bataglia, decidiram fundar um novo clube. Pensaram-se em vários nomes, falou-se em Santos Dumond FC, até que um deles se lembrou do famoso team inglês e sugeriu, com total sucesso, o mesmo nome, Corinthias, assim mesmo com um “s” a mais no fim, já que todos na época se referiam dessa forma ao clube londrino. Em 1914, um ano após ter começado a jogar o campeonato paulista, o Corinthias ganharia o primeiro titulo, e invicto!, repetindo o feito em 1916. Eram os longínquos tempos do médio centro Amílcar e do artilheiros Neco, os primeiros corintianos a ser convocados para a selecção brasileira. Durante os anos 20, o Corinthias iria se tornar na maior força do futebol paulista, conquistando 6 campeonatos estaduais, sagrando-se por duas vezes tricampeão. O primeiro entre 22, 23 e 24, com o famoso time do goleador Gambarotta e dos duros zagueiros Del Debbio e Grané, conhecido como Canhão 420, por causa do seu potente remate. Entre 28, 29 e 30, o Corinthias conquista o seu segundo tricampeonato, encerrando a era do amadorismo, no que seriam os últimos jogos do lendário Neco, um dos fundadores do clube e o seu primeiro grande craque. Quando se entra nos anos 30, o clube já é um potência do Paulistão. As suas equipas são temidas e veneradas, voltando a serem campeãs em 37, 38 e 39, agora já na era do profissionalismo que, tímido, começara a dar os primeiros passos no futebol brasileiro. Era uma equipa combativa, lembrada pelo caça-golos Teleco e pela eterna polémica que rodeou a final de 38, onde até hoje se diz que o golo da vitória na final, contra o S.Paulo, foi marcado com a mão pelo esperto avançado Carlito. Para os fieis adeptos corintianos, no entanto, tudo o que precisam de saber é que aquele foi o terceiro tricampeonato da história do clube, recorde que, entre equipas paulistas, permanece até hoje.

NO PACAEMBU, POR CEM ANOS SERÁS CAMPEÃO

Em 1977, 22 anos depois do último titulo: QUANDO DEUS ESCOLHEU BASÍLIO E PALHINHA

SPORT CLUB CORINTHIANS A Democracia Corinthiana1Entre 1954 e 1977, o Corinthians viveu 22 longos anos longe dos títulos. Pelo time corintiano tinham passado grande craques como Rivelino, formado no clube, Almir Albuquerque, 1960, Dino Sani, 1965, Paulo Borges, 1968, e até Garrincha, em 1966, embora já em clara fase decadente da sua carreira. Nenhum deles fora capaz de devolver o Paulistão ao Corinthias. Em 1977, a história voltaria ao seu lugar, apesar de, nesse ano, a equipa nem ter grandes figuras. Brilhavam, sobretudo, o goleador Geraldão, o lutador Vaguinho e o lateral Wladimir, mas seria o avançado Basílio, que viera em 1975 da Portuguesa para substituir Rivelino a fazer o golo decisivo, na final, com o Ponte Preta, depois de antes ter passado jogos inteiros a ser assobiado pela torcida. Deus é uma pessoa estranha. Poderia ter escolhido o Vaguinho ou o Wladimir para fazer o golo, mas no entanto acabou me escolhendo a mim, afirmou no final, meio confuso com toda a euforia que o rodeava. No banco corinthiano estava, de novo, o técnico que o levara ao titulo em 1954: o sábio Oswaldo Brandão. Destruída a maldição, o Corinthias voltaria aos títulos na edição de 1979, que, no entanto, só teria o seu final em 1980, depois de Vicente Matheus, então presidente corintiano, ter recusado disputar dois jogos em dois dias seguidos. Seguiram-se recursos, protestos, novos adiamentos até que a meias-finais e final só se disputariam no ano seguinte. Nessa altura, o Palmeiras, grande favorito, já não estava na mesma forma e seria derrotado com um inesquecível golo de canela marcado pelo médio Biro-Biro. O Paulistão era, mais uma vez, do Corinthians.

RIVELINO: Deixa que eu chuto!

SPORT CLUB CORINTHIANS A Democracia Corinthiana2Titular da imortal selecção brasileira –a equipa do século- campeã mundial de 70, então com 23 anos, Rivelino, tiro de canhão, foi um dos maiores talentos das escolas do Corinthians. Originariamente, médio ala direito, tornou-se um médio centro que deixava a pele em campo. Esteve dez anos no Parque São Jorge, marcou 165 golos, mas nunca conquistou um título. Fez 91 jogos pelo escrete canarinho, marcou 26 golos e alinhou nos Mundiais de 70, 74 e 78. Jogou depois no Fluminense, onde foi campeão brasileiro, terminando a carreira no futebol americano. Embora sem aprovação oficial muitos registos afirmam que foi dele o golo mais rápido da história do futebol mundial: apenas 3 segundos após o apito inicial, com um remate do meio campo, após curto passe de um colega, aproveitando que o guarda redes ainda estar absorto nas suas orações, ritual de muitos antes do jogos. Apesar de toda a técnica e magia do seu futebol, acabou por ficar famoso, sobretudo, pela forma exímia como marcava os lances de bola parada. Desde os pontapés de canto, que cobrava com o insidioso cruzamento banana, até á marcação de livres á entrada da área. Por isso a sua biografia se chama, simbolicamente, deixa que eu chuto!

A DEMOCRACIA CORINTHIANA

SPORT CLUB CORINTHIANS A Democracia Corinthiana3Em 1982 o mundo do futebol brasileiro enlouqueceu com o escrete canarinho de Telê Santana, magia de Zico, Falcão, e... Doutor Sócrates. De regresso do Mundial, os treinos do Corinthias são seguidos por milhares de pessoas. Torcedores fieis, amantes do belo futebol e... membros da policia secreta do General Medici, chefe da ditadura militar que desde 1964, ano em que um golpe de estado derrubou o presidente João Goulart, dirige a nação brasileira. A sua missão é vigiar os gestos e actos de um clube que, em plena época de repressão militar, resolvera desafiar sem medo as cúpulas do regime, criando um movimento que apaixonou todo o Brasil e que ficou conhecido como a Democracia Corinthiana. Uma história de futebolistas insubmissos. O Brasil, tal com outros países da América latina, vivia uma época em que o futebol profissional era manipulado pela Ditadura, que, ansiosa, procurava, por todos os meios, identificar-se com a imagem bela e vitoriosa dos jogadores. Era um tempo em que o futebol estava todo sob controlo dos militares. O Conselho Nacional de Desporto estava nas mãos do brigadeiro Gerónimo Bastos e a Confederação Brasileira de futebol era comandada pelo Almirante Helénio Nunez. Só que em 1979, Sócrates, já era uma estrela da selecção. Todos queriam-lhe tocar e falar com ele. Quando o Dr. Futebol começou a falar, nunca mais o futebol brasileiro seria como antes: O Futebol é um fenómeno social de utilidade pública, dizia. Útil para os governos que assim confundem o povo que, alienado, se esquece dos graves problemas do quotidiano. Uma estatística feita no Estado de S.Paulo revelou que quando o Corinthias perde, a produção das indústrias fabris desce de forma considerável... Na luta para denunciar o embuste, Sócrates contou com o jornalista Luiz Rodriguez, autor de vários artigos na imprensa, ironicamente chamados de Ilusão FC. Sei que na Argentina, Menotti criticou abertamente a junta militar do seu país. É positivo, mas não acredito que esse tipo de comportamentos possa solucionar seja o que for. O problema é mais vasto. É uma questão educação dos povos, acesso á cultura e consciência política. Era o inicio da desmistificação da hipócrita política ditatorial que utilizava o futebol com um meroo instrumento de propaganda e construía estádios de fachada por todo o país, inventando um absurdo campeonato nacional com 84! equipas, para dar uma falsa alegria ás mais escondidas e pobres regiões do país, sobretudo no pobre nordeste. Existia, porém, um lado soturno que procura ser escondido. 80% dos jogadores tinham condições de vida inumanas e 60% ganhava menos que o salário mínimo. Muitos campos nem saneamento tinham, as condições de higiene eram inexistentes e a assistência médica era nula. Quando lesionados ou com problemas de saúde os seus jogadores não tinham a quem recorrer. Ao mesmo tempo, eram tratados com soberba pelos directores, xerifes ou cartolas. Os dirigentes ou são paternalistas ou são autoritários. Se os jogadores permitem, são paternalistas, caso contrário são autoritários, contava Sócrates.

Adilson Alves, o rebelde vice presidente

Mas o homem que iria incendiar o sistema surge quando Orlando Alves, vice presidente do Corinthias, resolve, face aos maus resultados da equipa, entregar a direcção do departamento de futebol ao seu filho, Adilson Monteiro Alves, um grande apaixonado pelo futebol, mas, sobretudo, um jovem rebelde, sociólogo de 35 anos, que anos antes na Universidade encabeçara motins de protesto contra a ditadura, que o levariam inclusive á prisão. Estávamos em 1981 e Adilson vivia os primeiros dias no clube. Antes do jogo, como sempre, os jogadores concentraram-se em estágio. Quando nervoso foi pela primeira vez lhes falar, encontrou um grupo desmoralizado. Foi então que decidiu incendiar o discurso: Eu acredito no vosso valor. Temos Zé Maria, um campeão do mundo, Sócrates, Paulo César Lima, Zenon, Wladimir, tudo jogadores da selecção. Vocês são uns lutadores. O País luta por se democratizar. O futebol tem também de lutar pelas mesmas causas. Mesmo nos países democráticos o futebol é de cariz conservador. Nós vamos mudar tudo isto. Os jogadores são tratados como escravos. Todo o país está a questionar o autoritarismo. No futebol também deve suceder o mesmo. Antes de ser profissional, o jogador é um cidadão. Todo o mundo deve lutar pelo direito de participar nas decisões do seu destino. Tomem o destino nas vossas mãos. Vocês podem comandar! Podem viver a vossa profissão com liberdade e prazer. Temos é de estar unidos para vencer e enfrentar os críticos! O grupo quedou mudo de espanto e emoção. Entre eles estavam activos contestatários a quem o discurso empolgava: Wladimir, líder do sindicato de jogadores, um negro que há muito denunciava a segregação racial que invadia toda a sociedade brasileira, Zé Maria, um activista contra os presos políticos, Casagrande, então rebelde teanager, e, claro, Sócrates.

De estágios a treinadores Os jogadores decidiam tudo!

SPORT CLUB CORINTHIANS A Democracia Corinthiana5A base da democracia corinthiana exercia-se numa reunião quase diária entre todo o grupo. Cada jogador do plantel tinha direito a um voto, tal como o vice presidente Adilso Alves. Juntos decidiram terminar com os prémios de vitória. Todo consideravam indigno pensar que um profissional dava mais só por causa de um prémio extra. Assim, nasceu um sistema único no mundo: Todos os jogadores titulares e reservas, e demais pessoal como médicos, massagistas, roupeiro e condutor do autocarro, teriam direito a 25% da receita de bilheteira, 20% do negociado com o patrocinador do clube e 20% das receitas televisivas. Decidiram contratar um psicólogo para a equipa, algo vulgar hoje em dia, mas inédito naquele tempo, tal como a decisão de apenas prestar declarações em conferência de imprensa. Os treinos, as viagens, e os eventuais estágios que deixaram de ter carácter obrigatório passaram também a ser escolha do grupo que inclusive tinha a palavra para decidir os futuros reforços e até, o próprio treinador. Em 1982 com a saída do técnico Mario Tavalini o grupo optou por, numa clara afronta ao regime colocar no seu lugar o jogador Zé Maria. Uma opção temporária de propaganda que colocava o clube num regime socialista de AutoGestão, ao tempo admirado sistema de Tito na velha Jugoslávia unida.

Ganhar ou perder mas sempre com Democracia!

Em plena ditadura, um clube de futebol regeu-se pelas mais elementares regras de Democracia directa. Consta que apenas o veterano guarda redes Leão se revelava contra este sistema, mas já ninguém podia parar Adilson, Sócrates, Casagrande, de, através da força do futebol, fazerem tremer os generais, que, numa célebre noite, assistiram incrédulos e impotentes, quando, com o Maracâna lotado, os jogadores do Corinthias entraram em campo empunhando uma larga faixa onde se lia ganhar ou perder mas sempre com democracia, ao mesmo tempo que a equipa passou a usar em todos os jogos, nas costas da camisolas, a palavra Democracia.. Todo este movimento viveu dois anos e meio, durante o qual o Corinthias conquistou dois títulos de campeão paulista, 82 e 83. Foi uma aventura extraordinária, a união de homens excepcionais. Todos os artistas e intelectuais progressistas do país estavam connosco, lembra emocionado Sócrates, para quem não restam dúvida que ele foi decisivo para o caminho rumo á democracia após 25 de ditadura. Quando em finais dos anos 80 o povo brasileiro foi ás urnas votar uma parte da luta por esse direito conquistado devera-se á força do futebol.

SÓCRATES: Doutor Futebol

SPORT CLUB CORINTHIANS A Democracia Corinthiana6Nunca encontrei nenhuma pessoa com quem não aprendesse qualquer coisa. A frase é de Sócrates, filósofo grego, mas pode ser utilizada para definir a personalidade de outro Sócrates, o médico futebolista, que esteve no futebol como na vida, . Formou-se em medicina aos 24 anos, mas o seu sucesso nos relvados levou-o a largar a medicina para se dedicar por inteiro ao futebol, no Corinthias e, claro, na selecção brasileira, foi muitas vezes capitão de equipa. Foi ele, no inicio dos anos 80, o grande impulsionador, entre os jogadores, da célebre Democracia Corintiana. Quase 20 anos depois sente ter deixado nesse tempo de fascinação o melhor da sua vida terrena, mesmo dizendo agora que futebol nunca mais. Na profundeza de Ribeirão Preto, encostou a bola num canto do jardim de sua casa e, com 47 anos, mergulhou na outra face da sua vocação humana, a medicina. Conserva, porém, a mesma barba de culto esquerdista, simpatizante do PT, o partido de Lula, engordou um pouco, fuma para pensar melhor e confessa que, hoje, quase todos os seus amigos nada tem a ver com o futebol. Nos relvados, Sócrates, famoso pelos seus toques de calcanhar, sempre transmitiu serenidade. Quando a bola ia parar a seus pés, parecia que o jogo ficava em slow-motion. Num ápice, porém, quando a começava a tocar, colocava a técnica ao serviço do espirito e levantava o Estádio. Quando chegou ao Corinthias, em 1978, apenas erguia um braço para comemorar seus golos. Depois, na euforia do Parque São Jorge vibrava como ninguém. Fez 294 jogos e 168 golos, entre 78 e 84. Foi 3 vezes campeão paulista, 79, 82 e 83. Nos anos do bicampeonato, foi ele a grande estrela, marcando 39 golos e liderando o grupo, dentro e fora da quatro linhas. Jogou no Corinthias até 1984, ano em que se transferiu para a Fiorentina. Em Itália, no entanto, nunca foi o mesmo que brilhara no Mundial-82. Realizou, uma pálida época, em 84/85, 25 jogos e 6 golos, regressando ao Brasil, para jogar no Flamengo, após um discreto Mundial-86. Tinha então 32 anos. No futebol carioca, porém pareceu sempre desmotivado e acabou por abandonar os relvados mais cedo do previsto. Tinha a festa de despedida marcada para 15 de Setembro. Abandonou cinco meses antes, cansado do futebol.

CASAGRANDE: Futebol Rock and Roll

Quando no inicio dos anos 80, a Democrcia Corintiana abalou o futebol brasileiro, Casagrande era um jovem de 19 anos que parecia saído de Woodstock:. Admirador de Fidel Castro e Ghandi, tinha mais o perfil de um cantor rock do que de um jogador de futebol. Passava os dias a ouvir Jimi Hendrix e Led Zepellin, e orgulhava-se em dizer que quando tivesse um filho lhe iria chamar Ernesto Che Guevara. O seu estilo goleador começou a notar-se, em 1977, nas camadas jovens do Corinthias. Esteve presente nos dois históricos títulos paulistas de 82, apontando 28 golos e sendo o melhor marcador da competição, e de 83, marcando 15 golos. A sua fama rebelde iria, no entanto, marcar a sua carreira. Esteve presente no Mundial-86 com a selecção brasileira, pela qual fez 19 jogos e marcou 8 golos, ingressando depois no FC Porto, com o qual seria campeão europeu, embora alinhando apenas num jogo. Infeliz fracturou a perna num contra o Brondby. Na retina ficam as suas imagens de dor no frio nórdico gritando Quebrou, quebrou!. No final da época foi para Itália, onde jogou no Ascoli e no Torino, regressando em 1993 para jogar no Flamengo. Em 1994, por fim, regressou ás raízes, voltando a alinhar uma época, pelo Corinthians. Com 31 anos, era uma sombra do furacão do passado. Tinham passado 12 nos da sua explosão. Na memória, fica o seu estilo meio desengonçado, que, dentro da área, parecia ter um dom especial para ir de encontro á bola. Tecnicamente limitado vivia dos golos que marcava.

OS TITULOS DOS ANOS 90: O MUNDO É DO CORINTHIANS!

SPORT CLUB CORINTHIANS A Democracia Corinthiana7Depois dos títulos paulistas, o Corinthians seria finalmente campeão brasileiro nos anos 90, acabando com a teoria de só saber vencer perto de casa. A primeira grande estrela dessa nova era foi o médio Neto e as suas milimétricas cobranças de falta. Ainda hoje o seu nome aparece escrito em faixas colocadas pela torcida durante os jogos; Neto, o eterno xodó da Fiel, pode-se ler em muitos campos por onde o Corinthians passa. A seu lado estava Tuãzinho, Paulo Sérgio e a revelação Dinei que estaria depois nos títulos de 98 e 99, após complicados anos, no Curitiba em que, assumindo-se viciado em cocaína foi suspenso e internado numa clinica de desintoxicação, mas depois disso nenhum clube quis saber dele, á excepção, claro, do Corinthias que o recuperou em 1998. Dinei agradeceu e retribuiu com golos, 13 em 81 jogos. O bicampeonato brasileiro 98 e 99 foi dos momentos mais brilhantes da história do clube, deliciado com a beleza do toque de bola de craques como, entre outros, o genial Marcelinho Carioca, o veloz Edílson, o trinco Vampeta, o central paraguaio Gamarra e o gigante colombiano Rincón, orientados por Wanderley Luxembugo, então idolatrado técnico brasileiro. Segundo nessa senda vitoriosa, o Corinthians conquistaria em Janeiro de 2000, o primeiro Mundial de Clubes organizado pela FIFA, no Brasil, batendo para isso o Real Madrid, o Al-Nassr, o Raja Casablanca e o histórico rival carioca Vasco da Gama. O Mundo era do Corinthians!

MARCELINHO CARIOCA: O pé-de-anjo

Ele personifica o futebol brasileiro em estado puro, jogado nos baldios de terra, por moleques mulatos descalços sonhando fugir da miséria. Marcelo Surcin, para todos o genial Marcelinho Carioca conserva ainda hoje, com 30 anos, o mesmo estilo que namora ao mesmo tempo com deus e o diabo. Mágico na cobrança de livres em folha-seca, chamam-lhe o pé de anjo, faz jogadas incríveis, golos fantásticos, e é exímio em arranjar confusões, por isso passou ao lado de uma careira de maior projecção, sobretudo em termos de selecção brasileira. Em 1997, ingressou no Valência de Valdano, um apaixonado por jogadores como Marcelinho, mas poucos meses depois estava de regresso ao seu Brasil, cansado de ficar sentado no banco. Com o Corinthians venceu 2 Paulistões, 95 e 97 e dois campeonatos brasileiros, 98 e 99.