SUA MAJESTADE, O MUNDIAL DE FUTEBOL (HISTÓRIA 1930-1994)

10 de Maio de 1998

Barbosa, o homem que todos os dias caminha junto á praia grande de Santos, perto de São Paulo, com o passo lento e olhar nostálgico de quem parece que viveu duas vidas, não é um nome famoso do futebol brasileiro. Por muitas vezes, durante as últimas cinco décadas, verteu lágrimas de tristeza e desgosto, esteve olhos nos olhos com a morte e agonizou na pobreza. Há 48 anos atrás, em 10 Julho de 1950, ele estava na baliza do Brasil, em pleno Maracanâ. Duzentos mil brasileiros contra onze uruguaios jogavam a partida decisiva do Mundial. A onze minutos do final o extremo uruguaio Gigghia ultrapassou Bigode, lateral brasileiro, e com um forte remate de ângulo apertado bateu Barbosa, oferecendo a Copa á Celeste. “Sem esse golo a minha vida teria sido diferente. Jamais o Brasil me deixaria conhecer a fome. Recordo-me do golo como se o tivesse sofrido ontem.

Já o revi centenas, milhares de vezes, e tive de me justificar todas essas mesmas vezes. Não posso me sentir responsável pela derrota. Não é por considerarem-me culpado ou não que a história irá mudar. No Brasil só os vencedores ganham a estima, o dinheiro e o respeito de todos. Ser segundo é pior do que não ser nada de nada. Uma vez, nos anos 80, uma velha mulher com o seu pequeno filho pela mão reconheceu-me numa loja e disse-lhe apontando para mim: Olha, foi ele que fez chorar milhões de brasileiros...” Os relatos da época contam que durante os sepulcrais minutos que mediaram até ao final do jogo, houve quem de pé gritasse: “Ninguem se preocupe, isto não pode ser verdade. Nós estámos todos sonhando!” Se, de facto, tratou-se de um sonho, para Barbosa foi um pesadelo de que nunca mais acordou.

SUA MAJESTADE, O MUNDIAL DE FUTEBOL HISTÓRIA 1930 1994A história do futebol é uma série de herois e vilões. Desde o remoto ano de 1930, quando quatro selecções europeias, no tempo dos pachorrentos barcos a vapor, rumaram ao Uruguai para com nove outras representações do continente americano disputar o primeiro Campeonato do Mundo da história, muitas personagens desfilaram no imaginário dos amantes do jogo do século, tornando-se, ao mesmo tempo, no palco priveligiado onde a mente e o corpo de homens de todo o mundo desenharam com mestria os vários “estilos de futebol” que ainda hoje ilustram os distintos temperamentos e “movimentos táctico-técnicos” do status futebolistico mundial.

A aventura uruguaia de 30, ignorada pela altivez britânica e recusada pela incapacidade económica de várias nações europeias em fazer a travessia atlântica, confirmou a superioridade técnica dos artistas da bola que rivalizavam nas diferentes margens do gigantesco estuário do Mar del Plata. De um lado a Argentina, do outro o Uruguai, campeão olimpico em 24 e 28. No jogo decisivo, a selecção charrrua derrotou os homens das pampas numa final a que Carlos Gardel, o grande cantor de tangos rioplatense, dividido, não se atreveu a assistir. O orgulho europeu ficou eternizado no facto do primeiro golo da épica saga futebolitica dos Mundias ter sido apontado pelo francês Lucien Laurent, um óperário da Peugeot, frente ao México, no jogo inaugural que terminou 4-1. Só nos nossos dias Laurent, hoje com 91 anos, viu esse feito, á medida em que o futebol foi ganhando dimensão planetária, ser digno do seu enorme significado simbólico: “Se festejei o golo? Deve estar a brincar, apenas um aperto de mão e voltávamos ao centro do terreno para recomeçar o jogo. Não andávamos como hoje a correr com a camisola metida na cabeça, aliás isso nem seria possivel tal as nossas camisolas eram coladas ao corpo...”

O lado lunar da década de 30 não tardaria, porém, a chegar, sob a forma do neo fascismo, rugido de intolerância que estrangulou o mundo durante a maioria do nosso século. Também no futebol se sentiram os ecos da sua loucura. Apesar do valor e talento da Selecção Azzurra de 34 e 38, expressão pioneira da elegante magia latina, no mesmo ano em que nasceu Sophia Loren, as suas vitórias ficarão para sempre ligadas á imagem de Mussolini, que, antes dos jogos, os incentivava com uma simples frase: Vencer ou morrer!. Uma recordação assaz injusta para o mestre Vitorio Pozzo, o inventor do design criativo do futebol italiano, seu treinador nas duas campanhas, um homem para quem nada podia ser criado na desordem e que impôs aos jogadoeres um rigido e prolongado estágio de preparação pouco usual nesses tempos. A final do França-38 arrepiou mais que emocionou. Todos sentiam a totalitária ameaça alemã que cercava o mundo. Na hora da consagração ao receber a taça, o capitão Giuseppe Meazza fez a saudação fascista e um gigantesco calafrio percorreu o corpo do resto da europa. Durante os seguintes doze anos não voltaria a haver Mundial de futebol...

Só em 1950 o futebol regressou com liberdade aos relvados, sacodindo a poeira dos anos SUA MAJESTADE, O MUNDIAL DE FUTEBOL HISTÓRIA 1930 19941da guerra, por entre a onda de existencialismo que invadiu o mundo. Foi tempo do Mundial brasileiro, pela primeira vez com a presença inglesa, e daquela que ficou conhecida como a maior derrota da história do futebol. Após o apito final, Jules Rimet viu-se no relvado sozinho com a Taça na mão. Todas as individualidades brasileiras tinham desparecido. Foi então que o já trôpego presidente da FIFA avançou na direcção do gran capitan uruguaio Varela e lhe entregou o trofeú perante a incredualidade da multidão. No Mundial 54, Josef Herberger moldou pela primeira vez, a forma e o gesto da triunfante dinastia táctica alemã..

Nesses tempos o mundo andava deslumbrado com os húngaros encantadores de serpentes. O futebol magiar de estrelas como Puskas e Kocsis parecia obra sobrenatural. Ante a surpresa geral a RFA, que batera por 8-3 na primeira fase, era o adversário final. Os magiares eram favoritos mas ao seu virtuosismo técnico impõs-se o glacial, possante e arrogante estilo germânico. Uma vitória profética sobre o que a força fisica podia alcançar no futebol e que continua hoje a marcar o estilo imperial do futebol alemão, embora tantos anos passados poucos se recordam que nessa final de 54, Puskas actuara quase todo o jogo lesionado, mal podendo colocar o pé no chão devido a uma lesão sofrida em partidas anteriores.

SUA MAJESTADE, O MUNDIAL DE FUTEBOL HISTÓRIA 1930 19942Em 58, o futebol virou poema, samba e capoeira, tudo com os aromas e os sons da sonoplastia brasileira. Surgiu Pelé, um jovem e magro crioulo de 17 anos que, num ápice, transformou o futebol no jogo mais simples do mundo. Finalmente, a Terra de Vera Cruz derrotava o fantasma de Gigghia, assombração de 50, e conquistava o mundo. Ao lado de Pelé, dançava o Anjo das pernas tortas, como lhe chamou Vinicius de Morais, Mané Garrincha. Se para os americanos Frank Sinatra ficou conhecido como a Voz, para os brasileiros só há um forma de definir Garrincha, o Drible. O prespicaz cronista Nelson Rodrigues viu nele a alegria do povo e perguntou: “Se fôssemos 75 milhões de Garrinchas, que pais seria este, maior que a Russia,maior que os EUA” Foi também o Mundial de uma selecção francesa com homens como Kopa e Fontaine, até hoje o melhor marcador da história dos Mundiais com 13 golos. 40 anos depois esse feito têm maior relevo do que lhe foi atribuido na época: “No jogo com a RFA, venciamos 2-1 quando há um penalty a nosso favor e eu, que já tinha feito 11 golos, não fui marcar. Na época não havia nenhuma classificação oficial de marcadores, não existia nenhuma pressão. E reparem que nesse tempo o record era de Kocsis, com exactamente 11 golos...”

Estava o Mundial de 62 a fazer as malas rumo ao Chile, quando um enorme terramoto abalou este pequeno país sul americano. A prova parecia ameaçada, mas por entre os escombros ergueu-se a voz chilena, numa frase que foi um exemplo de coragem em enfrentar a história:”Por não termos nada é que faremos tudo!” Não seria, porém, um torneio de bom futebol. A sua imagem ficou marcada por picardias excessivas, violência até, como no incrível Itália-Chile que teve contornos de batalha campal. Foi, também um Mundial feiticeiro. Pelé lesionou-se logo no primeiro jogo e ficou fora do resto da prova. Parecia um golpe irreparável nas ambições canarinhas, mas o desconhecido Amarildo saltou para a ribalta e, durante três semanas, substituiu o Rei nos sofridos corações brasileiros. O Chile chegou ao terceiro lugar deixando pelo caminho a selecção socialista da URSS, num jogo em que Yashine, a aranha negra que inventou uma nova forma de ser guarda-redes, cometeu dois erros incríveis que, até ao momento da sua morte, nunca seria capaz de explicar como fora possível.

SUA MAJESTADE, O MUNDIAL DE FUTEBOL HISTÓRIA 1930 19943Estavam os Beatles no auge quando o Mundial chegou á Inglaterra, a pátria do futebol. Aquele jogo outrora inventado numa rica universidade inglesa tinha saído de casa muito novo, irreverente e de pêlo na venta, cresceu pobre e na rua, onde os miúdos o adoptaram com a picardia e o orgulho de bairro mais tarde transformado em sentimento patriótico. Muita décadas depois ele regressou a casa, adulto e senhor do seu nariz, mas, apesar da tropelia do passado, só poderia ser recebido como um filho pródigo. Afinal, como reza a parábola, aquele que por paradoxo se ama mais. Chegou acompanhado de uma pantera negra, exemplo dos diamantes em bruto que descobriu durante as suas viagens por outros continentes. Os ditames colonialistas da época vestiram esse goleador felino com as destemidas quatro quinas da selecção portuguesa. Em 66, a velocidade, a arte e o remate Eusébio, personificou o futebol em estado puro, sublime expressão dos seus selvagens genes africanos. Os insondáveis desígnios de um jogo de futebol provaram que uma pantera também chora e os aplausos da vitória ficaram em casa.

A “Velha Albion” e um fiscal-de-linha russo viram dentro da baliza uma bola que significou o terceiro e decisivo golo inglês na final contra a RFA. Esse polémico remate de Hurst tornou-se no eterno debate sobre a bola que entrou ou não. Ainda há pouco tempo especialistas israelitas decompuseram a imagem num complicado sistema tecnológico e afirmaram que, sim senhor, num dado momento da sua trajectória a bola entrou, mas ninguém parece muito convencido do facto. Para os ingleses porém tudo o que precisam de saber é que o resultado final foi 4-2...

SUA MAJESTADE, O MUNDIAL DE FUTEBOL HISTÓRIA 1930 19944Os jovens rebeldes com causa do Maio de 68 inventaram uma nova forma de sentir e viver a vida. Quando em 70, o Mundial se disputou sob o abrasador sol mexicano, pairava no ar uma sensação de que o mundo estava a mudar. Um sentimento oposto ao macabro ano de 38. Doze anos depois da sua revelação, voltou a ser tempo de Pelé, agora na maturidade dos 30 anos. Já não existia Garrincha, que, prisioneiro do vicio do álcool, dizia-se desmaiar na porta dos bares do Rio, mas existia Tostão, Jairzinho, Carlos Alberto e Rivelino. Sambistas que compuseram a que para muitos foi a equipa do século. No ano em que ninguém podia parar aquele Brasil, Beckenbauer, o novo patrão germânico, jogou mais de metade da épica meia-final contra a Itália com o braço ao peito devido a uma lesão no ombro sofrida durante o jogo. Na final, o técnico italiano Mandelli resolveu prescindir da estrela Rivera, os brasileiros agradeceram e o glamour transalpino de Mazzola, Riva e Sivori, sucumbiu sem apelo frente aos génios sul americanos. O Brasil conquistava definitivamente a Taça Jules Rimet.

SUA MAJESTADE, O MUNDIAL DE FUTEBOL HISTÓRIA 1930 19945Se Deus criou o mundo, os holandeses criaram a Holanda. Para os amantes do futebol a Holanda tem um nome e duas pernas: Johan Cruyff, mítico poeta do futebol total da implacável Laranja Mecânica, obra visionária de Kovacs e Michels, primeiro testada nos laboratórios do Ajax e, depois, lapidada com a selecção holandesa que em 74, com uma orquestra onde estavam nomes como Neeskens, Rep, Krol e, claro, o mago Cruyff: “Sempre me perguntei se mudaria o vice campeonato e os elogios que recebemos, pelo titulo em si. Penso nisso e não acredito que o trocasse. Claro que o gostaria de ter ganho, mas tantos anos depois quase se recorda mais a Laranja Mecânica do que a equipa campeã. A partir dessa data passou a falar-se em todo o mundo do futebol holandês”. A RFA de Beckenbauer, uma espécie de Bayern Munique com as cores da selecção nacional, seria, porém, um justo vencedor. Principais protagonistas: Os golos do bombardeiro Muller, o maestro Breitner e a liderança do Kaiser.

SUA MAJESTADE, O MUNDIAL DE FUTEBOL HISTÓRIA 1930 19946Se na Europa o cenário político estava a mudar aos poucos, na América do Sul, o semblante enrugado dos regimes militares teimava em manter-se. O Mundial argentino de 78 ficou conhecido como a “Copa dos Generais”. Cruyff recusou jogar num local onde desapareciam pessoas, o Brasil ainda não encontrara quem fizesse esquecer Pelé e a RFA já não tinha Beckenbauer. Quando na final o ditador Vidella entregou o caudillo a Passarela, o seu bigode regeu-se num sorriso hipócrita. Houve quem senti-se o mesmo cheiro a enxofre que invadira o ar na Europa de 38. Mas, como nesse longínquo inicio de século, a fúria dos longos cabelos negros de Kempes e Luke, os dribles de Ardilles e a classe de Bertoni e Passarela, não merciam que os pensamentos e olhares se desviassem dos movimentos realizados no rectângulo verde. Só que a atmosfera sentida durante a prova nunca irá apagar a suspeita que recaiu sobre o guarda-redes peruano Quiroga, de origem argentina, que sofreu seis golos da Argentina, quando esta precisava de vencer o Perú por quatro tentos de diferença para chegar á final. Anos mais tarde, o loco Quiroga confessou as abordagens, mas para a história ficou o titulo argentino. Apesar de tudo, uma vitória merecida e sofrida, que fugia ao futebol gaúcho desde 1930.

O Mundial 82 foi na opinião dos românticos o último do futebol á moda antiga. Para quem assistiu ao magnifico futebol que naquele ano invadiu o verão espanhol, nunca esquecerá a fabulosa selecção brasileira de Zico, Sócrates e Falcão. Houve quem jurasse que os Deuses tinham descido á terra para jogar futebol. Para muitos o jogo do titulo disputou-se nos quartos-de-final, dia do electrizante Itália-Brasil, onde Paolo Rossi, uma ave de rapina em forma de jogador de futebol fez três golos e eliminou o escrete, depois de ter estado dois anos sem jogar por suspensão relacionada com o Caso-Totonero, escândalo de corrupção que abalou as estruturas do Calcio e levou á prisão figuras de proa do futebol italiano. Com 41 anos, Dino Zoff, o avô da squadra azzurra do patriarca Bearzot, subiu á tribuna do Santiago Bernabeú para receber a Taça do Mundo das mãos do Rei Juan Carlos.

SUA MAJESTADE, O MUNDIAL DE FUTEBOL HISTÓRIA 1930 19947Nas vésperas do Mundial 86, de novo no México, quando a selecções começavam a desembarcar em solo mexicano, um facto, na altura pouco significativo, acabou por ser o segredo de tudo o que sucedeu no mês seguinte. Quando chegaram figuras como Platini ou Rummenigue, ambos disseram que não estavam em grande forma, que ia ser muito difícil, que as outras selecções eram muitos fortes e que não se consideravam favoritos. Quando chegou Maradona, o Pelusa foi claro:”Estou aqui para ganhar o Mundial e provar que sou o melhor jogador do mundo” . Os dias seguintes foram, com a mão de Deus, dos mais bonitos que alguma vez se viram no relvado de futebol. Nos últimos minutos da final Argentina-RFA o marcador era 2-2 quando o Pibe isolou Burruchaga que desde o meio campo correu isolado para a baliza alemã. Valdano estava colado á linha e recorda as imagens desse momento mágico. A esperança na cara de Burruchaga e o medo na cara de Schumacher. É justo que a esperança triunfe sobre o medo. Foi golo e a Argentina era Campeã do Mundo, sem as sombras de 78.

O ocaso futebolístico do século começou em Itália, no verão de 90. Por ironia do destino e dos penaltys marcados e falhados, Argentina e RFA voltaram a encontrar-se na final. Desta vez a Mathaus, estrela germânica, já não tinha que ficar preso na marcação a Maradona. Este era o seu Mundial que a fazer justiça aos penosos jogos anteriores foi decidido com um duvidoso penalty assinalado pelo mexicano Codesal. Brehme fez o golo da vitória, Havelange, na tribuna, sorriu, Maradona chorou e o resto dos senhores da FIFA, para quem o futebol é um negócio, ficaram aliviados com a derrota do Pibe que, durante a prova, muito contestou as suas decisões tecnocratas, hipotecadas á frieza financeira, desprezando as opiniões dos jogadores. Custa a compreender que o futebol que conquistou todo o mundo, não tenha seduzido o público americano.

SUA MAJESTADE, O MUNDIAL DE FUTEBOL HISTÓRIA 1930 19948Em 94, Havelange consegui levar o Mundial para os EUA e, de facto, os estádios enchera-se, mas não de americanos. A verdade é que os EUA são uma espécie de microcosmos do mundo, pelo que facilmente as bancadas foram invadidas de milhares e milhares de emigrantes de todas a parte do globo, seduzidos pelo american dream, mas sempre saudosos dos genuínos traços da cultura dos seus países. E o futebol, acreditem, é mesmo a expressão cultural de um povo. Logo no inicio da prova, um baixinho brasileiro repetiu a ousadia de Maradona em 86:”Esta vai ser a Copa do Romário!” E foi. O Brasil conquistou o Tetra mas sem o sabor dos bons velhos tempos. O outrora mágico futebol brasileiro tornara-se refém dos ditames pragmáticos de Parreira, jogou com dois trincos, aprisionou o seu talento em nome da disciplina táctica e como que roubou o estilo aos europeus, perante a estupefacção italiana, seus rivais na final, eles também confundidos pelos complicados esquemas de Sachi, um cientista do futebol. Tempos estranhos e intrigantes estes que se vivem no futebol actual.