“Tacticamente abraçados”

17 de Fevereiro de 2016

Jogar com menos um é difícil. Jogar com menos dois –apenas 9 jogadores- é ainda mais. O V. Setúbal viveu nesse “buraco negro” mais de vinte minutos em Guimarães (expulsos Paulo Tavares e Tiago Valente) mas mesmo assim não sofreu golos e segurou o empate. Para isto suceder tem, obviamente, de existir incompetência de movimentação do adversário em aproveitar o maior espaço ao dispor, mas, nesses momentos, metendo os oito jogadores em “duas linhas de quatro”, a estratégia de quem defende é juntar o mais possível todos esses elementos.
Instintivamente, recuam e quase parecem pendurar-se na baliza. A equipa fica em 25 metros como que “abraçada tacticamente” entre todos. Dar as faixas (do cruzamento a bola não vai para a baliza) e encher o centro (porque dali é que pode sair o remate). Dessa forma, sempre que a bola caia no centro (entenda-se já na meia-lua ou mais dentro) o “casulo sadino” saltava-lhe todo para cima como se fosse uma granada. Um papel onde o trinco Dani e o rotativo Costinha foram decisivos.
Este Vitória de Quim Machado cresceu com o rótulo de equipa de “futebol de ataque” mas isso, por si só, não me diz muito porque o jogo tem outros momentos tão ou mais importantes em que a equipa tem de saber viver mais inteligentemente. Nesse sentido, este seu atípico jogo em Guimarães foi dos que mais gostei para ver que por trás das frases que ficam bem nos títulos, há trabalho táctico mais profundo que fica ainda muito melhor, em surdina, no interior da equipa.