TÁCTICAS

20 de Setembro de 2003

TÁCTICAS

O Mundial-2006 já começou na América do Sul. No arranque da fase de apuramento, três selecções merecem especial reflexão: Chile, Peru e Uruguai. Do Peru ainda há a memória da bela selecção dos anos 70/80, com Cubillas, Oblitas, Sotil, etc. Nos anos seguintes, continuou a jogar bom futebol, apoiado e de toque curto, talvez o mais parecido com a escola brasileira entre os demais países da América do Sul, mas nunca mais voltou aos grandes palcos. A actual selecção, orientada por Paulo Autori, é a mais talentosa dos últimos 20 anos, com valores tanto na defesa, casos de Rebosio e Galliquio, como no meio campo, onde o ritmo de jogo é pautado pelos sábios Solano e Palácios. No ataque, Mendoza e Pizarro, quando inspirados, são um tormento para as defesas adversárias. Golearam o Paraguai (4-1) e perderam (1-2), em Santiago, frente a outra selecção em alta: o Chile de Juvenal Olmos, (que empatara na Argentina, 2-2) e no qual se destacam, na defesa, o lateral Alvarez e o central Contreras, no meio campo, os dinâmicos Mark Gonzalez e Mirosevic, e, no ataque, os perigosos Navia e Pinilla, a maior esperança do actual fútbol chileno.

Das duas faces exibidas pelo Uruguai, fica a certeza de como o factor casa é decisivo nos jogos disputados nas canchas sul americanas. Em Montevideo, o Uruguai realizou uma exibição de luxo frente á Bolivia, com um onze claramente de ataque, orientado por Juan Ramón Carrasco, mentor de um 3x4x3 onde coexistiram á frente do volante Sosa, quatro jogadores de cariz ofensivo: Recoba e Nuñez como armadores, Chevantón, Bueno e Forlán no ataque. Três dias depois, porém, no Paraguai, o onze charrúa recuou no terreno, perdeu dinâmica de jogo e foi esmagado pelos guaranis. Dos dois jogos, ficou também por saber qual o melhor lugar para Recoba, que, enigmaticamente, nunca brilha na selecção. Médio ofensivo ou avançado? Incapaz de decidir este enigma, o treinador colocou-o no banco no jogo de Asunción e a equipa ficou sem a sua principal referência na hora de sair para o ataque.