TÁCTICAS: A Argentina de Crespo e os “locos bajitos”

02 de Abril de 2004

TÁCTICAS A Argentina de Crespo e os locos bajitos

Chamam-lhe a sociedade dos locos bajitos. É a dupla Aimar-D´Alessandro, dois mágicos maestros do futebol argentino que, apesar de franzinos, enchem a cancha de técnica, velocidade e visão de jogo. Juntos, no meio-campo, eles formam, na ausência de Veron, o núcleo central do renovado esquema táctico de Bielsa, um treinador ansioso por, após o fracasso do Mundial-2002, juntar os títulos a uma magnífica geração de talentos. Contra o Equador, esta semana, sentiu-se a nova ideia táctica, mas, apesar da maior versatilidade do actual sistema em relação ao antigo 3x5x2 ou, para ser mais exacto, 3x3x1x3, do Mundial (com os extremos sem espaço e ausência de linhas de passe), a Argentina de Bielsa continua sem um fio de jogo verdadeiramente definido, funcionando sobretudo por impulsos individuais. Tacticamente, o novo projecto, varia entre um 3x3x2x2 e, como jogou contra o Equador, uma espécie de 2x3x2x3, com dois centrais (Ayala-Heinze) para apenas um ponta-de-lança equatoriano (Tenorio, em 4x1x4x1), um trinco volante (L. Gonzalez), dois laterais ofensivos (Sorín-Clemente Rodriguez), dois médios ofensivos que fazem o enganche com o ataque (Aimar, condutor, D´Alessandro, desiquilibrador desde trás), e três avançados (César Delgado, á direita, M. Gonzalez, á esquerda, e Crespo ponta de lança fixo).

Não existem, porém, posições fixas. Devido ao talento dos jogadores, as jogas individuais prevalecem sobre os passes verticais, num onze onde dominam, na fase criativa, os esquerdinos (D´Alessandro, M.Gonzalez, Heinze, Sorin e, irreconhecível sobre a direita, o fogoso lateral canhoto do Boca, Clemente Rodriguez). O golo da vitória surgiu aos 60 minutos, quando o onze (com Tevéz, o terceiro loco bajito, no lugar de M.Gonzalez, passando Delgado para a esquerda) já tinha outro equilíbrio no jogo pelas bandas, passando as diagonais a ter maior profundidade ofensiva. Falta, porém, quem coloque ordem na circulação da bola. Enfim, falta um Caudillo, como diriam os velhos hinchas do fútbol latino americano.