Ter “qualidades” não é ter “qualidade”

18 de Janeiro de 2016

Os jogadores mais criativos ou goleadores são quem entusiasma mais porque podem mudar o jogo numa jogada. Ao lado deles, porém, há outra classe de jogadores que garante algo muito mais sólido e profundo. Durante o jogo, eles têm que observar e, antes do mais, definir o momento em que não devem intervir pois de outra forma provoca interferências. Depois, quando o fazem, garantem o estado tático mais evoluído da equipa na sua dinâmica de jogo. É o que faz hoje Pizzi no Benfica.

A relação entre as faixas com as zonas interiores continua a ser a grande chave do melhor futebol. Do centro para a faixa e da faixa para o centro. Esta ultima é tacticamente mais complexa quando não se aplica apenas às diagonais do segundo-avançado desde o flanco. O grande “trabalho táctico” coletivo é quando desse movimento (bem feito) depende todo o equilíbrio da equipa e, também, de desequilíbrio da adversária. A partir do momento em que Rui Vitória reparou nesse “Pizzi tático” foi quando o seu Benfica melhor estabilizou o seu jogo.

Este Benfica já não poderá ser um Benfica avassalador a cair em cima dos adversários. As camisolas não jogam. Quem joga são os jogadores que vestem essas camisolas. E o valor que trazem dentro deles. Este Benfica terá de ser assim realisticamente uma equipa mais de ocupação racional dos espaços e que saiba manter o jogo posicional. Não ter dilemas estéticos e adaptar-se aos tempos táticos que vive. Os gritos que o “obrigam” pelo nome sempre a um futebol de ataque não têm conexão com a realidade e apenas o distanciam do seu hoje possível nível de eficácia.
O jogo do Estoril (como outros) mostrou isso mesmo. Para essa demonstração “sem “interferências o jogo de Pizzi é essencial. Neste arranque de segunda volta, ele é o jogador mais importante da equipa. O que lhe dá melhores mensagens. Sem poemas. Ganhou o lugar, ganhou a equipa.