Uma “aula prática” de futebol

27 de Fevereiro de 2016

A equipa não tem hoje um médio-centro com tanta autoridade e presença tática como Danilo. A equipa também não tem hoje um lateral com tanta qualidade a atacar pela faixa e cruzando muito bem como Layun. O destino e os buracos no plantel leva, porém, a que a certo momento da época um deles tenha que jogar como defesa-central.
É assim o dilema do treinador. Que decisão tomar? Em qualquer cenário, existe uma certeza: a equipa fica a perder. A opção tem sido (com o Dortmund) puxar Layun para central. Peseiro justifica-a como pode mas nem ele próprio deve ficar convencido.
Porque nos momentos em que se sente a falta que faz um bom lateral a subir, criando desequilíbrios de trás para a frente, fazendo dançar a defesa adversária, centrando/passando bem para o avançado na área (diferente de apenas... meter a bola na área) é impossível não pensar no que seria diferente com a outra opção.
Esta é uma questão prática azul-e-branca mas na vida dum treinador e sua equipa ela acontece muitas vezes. Em tese, tenho sempre a opinião que o treinador deve então optar por manter o jogador que executa a missão mais difícil doutro jogador reproduzir totalmente, ou com qualidade pelo menos semelhante. Por isso, neste caso particular, preferia recuar Danilo, porque embora sem o mesmo estilo, Ruben Neves pode fazer de 6, mas não existe mais ninguém que faça de lateral como a seta mexicana. E isso, numa equipa de perfil atacante por natureza como o FC Porto faz toda a diferença na opção.danilo
Defendo sempre os especialistas em relação aos polivalentes. O grande jogador não é o que faz várias posições. É o que faz a mesma posição de formas diferentes. O polivalente é um “jogador utilitário”, que o treinador, claro, adora. O especialista será, na visão ampla do jogo, um “multifunções”. É muito diferente.
Nenhum jogador deve “adormecer” quando o treinador está a falar para o outro. Mesmo que explique ao lateral-direito como deve jogar, o extremo-esquerdo nessa altura não pode fazer como se não fosse nada com ele.
Cada jogador deve saber tudo do jogo. Cada treinador deve, posição por posição, apostar no jogador que mais sabe dela, mas no ecossistema geral duma equipa nunca pode perder a especialização diferenciadora que uma delas provoca na equipa em comparação com outra que, embora essencial, não tenha esse impacto tão forte.