Vai tudo correr bem?

06 de Outubro de 2016

Não sei se isto que sinto faz parte das atuais sessões de coaching do Éder, mas devia fazer. É a forma como ele agora é tratado, como a visita de casa a quem permitimos tudo. Até se deitar abaixo uma jarra valiosa de porcelana “está tudo bem”. Mesmo que a bola lhe fuja ou remate sem direção, todos riem e aplaudem.

Tão natural como perturbador. Porque antes do golo de Paris, a forma como era tratado revelava o pior que as bancadas podem fazer a um jogador. Mal tocava na bola era assobiado. Acho, porém, que era cruelmente mais sincero isso do que isto de agora, porque o jogador, na essência, não mudou.

Estou à vontade para o dizer, porque sempre defendi a sua qualidade antes de Paris. Defendi até o 4x4x2 com ele a titular. Fernando Santos continua a convocá-lo. Faz bem, mas o golo mítico não o obriga a convocar sempre. Não digo que isso aconteça, mas se assobiarem o Éder agora ninguém irá patrioticamente mandado para a fogueira. Tudo isto apenas diz como o “monstro sem cabeça” que rodeia o futebol é um impostor. E o Éder é verdadeiro. Um bom nº9 antes de Paris. Um jogador de quem ninguém sabe como criticar ou falar agora.