Van Gaal- Klopp: Estranho duelo das ideias incompletas

20 de Março de 2016

Ver jogar o Manchester United de Van Gaal provoca uma sensação incómoda. Mais do que exatamente a forma como joga (sem ligação eficaz entre-sectores e uma identidade clara) tudo isto faz pensar em como Van Gaal estará a... treinar. Porque é no chamado “atelier do treino” que o jogar das equipas nasce.
Esse enigma cresce porque, em rigor, não acho que Van Gaal tente coisas diferentes das que sempre preconizou. No findo, neste Manchester, mesmo quando muda ao intervalo de 4x2x3x1 para 3x5x2, metendo um médio, Carrick (para nessa defesa a “3” sair a jogar entre o trio de centrais), tirando um extremo (a recente revelação Rushforxxx, ala que estremece o jogo pela aceleração oportuna) está á procura de fazer o que sempre preconizou: que o jogar da equipa consiga criar, em 4x3x3 (o sistema preferencial), o maior numero de linhas possíveis desde a defesa ao ataque (em tese, seis linhas, dividindo cada sector em duas).
Em 3x5x2 (diferente do 4x4x2) não é tão fácil e, paradoxalmente, defende com... menos linhas, o que se sentiu nessa segunda parte com esse sistema frente ao mais direto na construção de jogo em termos de numero de “passes verticais” do Liverpool de Kloop.

Naturalmente, este Liverpool ainda está no seu jogar muito distante das ideias de Klopp, mas quando dá tanto protagonismo a Firmino (segundo avançado, ala em diagonais ou falso 9) vê-se que busca que a mobilidade ofensiva tenha catalisadores individuais. Um pouco era em Dortmund, em “ataques rápidos”. Este Liverpool, com Coutinho a querer tocar tanto a bola (embora Lallana seja mais objectivo) não lhe permite fazer isso na maior parte do tempo.
Por isso, este grande duelo Van Gaal-Klopp foi tão estranho. Os grandes treinadores estavam lá, mas por uma razão ou outra (preocupante a de Van Gaal, natural a de Klopp) as suas ideias e marca de “futebol de autor” nunca se viram nas suas expressões de jogo.