Vendo jogar o Nacional

06 de Setembro de 2016

Podia ser só questão de resultados, mas as três derrotas do Nacional revelam dilemas mais profundos na equipa. Faltam claras referencias de quem “pegue no jogo” e diga como se deve jogar. Há uma estrutura (preferencial 4x2x3x1), mas a coluna do corredor central não tem nem quem estabilize o inicio de construção (quer Washington como Gazzhal, este tem sido central, são mais perseguidores da bola do que condutores), nem quem dê sentido criativo-organizador como médio ofensivo.

Por isso, Machado alterna (ou até junta) Tiago Rodrigues e Vítor Gonçalves, mas nenhum deles consegue ter bola e pensar em terrenos tão adiantados. São jogadores para terrenos mais de “8”, sem tanta responsabilidade em cima. Willyan continua a ser o mais perigoso nesse espaço, mas mais como segundo-avançado.

Lesionou-se Cádiz, mas mesmo com ele falta-lhe um bom nº9, como era Soares. É natural que neste contexto seja o jogador mais veloz na frente a parecer o mais perigoso e a poder salvar a equipa: Salvador. Numa jogada, até pode. Mas é uma ilusão. Mais que ser rápido, tenta é resolver as coisas depressa. Este é, sem dúvida, o maior desafio de Machado na sua vida no Nacional.