NOTAS 2009/10 (20)

04 de Janeiro de 2010

1. Do “homem” à “zona”

O Braga ganhara em Alvalade no campeonato, perdeu agora na Taça da Liga. Não existem, claro, jogos iguais, mas há diferenças e…diferenças. Uma delas está no sistema de marcação nas bolas paradas.

Penso, no primeiro jogo, no segundo golo do Braga. Num canto, ganhou, na área, dois duelos individuais aéreos e Meyong marcou na pequena área. A marcação ao “homem” é uma opção preferencial que retira, por princípio, o controlo do espaço em antecipação. Mudar este hábito não é fácil. Até porque a “zona” exige outra agilidade mental para atacar espaço e bola. É pouco visível tacticamente, mas esta é uma das principais alterações de Paulo Bento para Carvalhal.

Do “homem” (com que sofrera esta época 5 golos, 3 em cantos e 2 em livres laterais) à “zona” (com a qual só sofreu um, contra o Leiria e por responsabilidade do guarda-redes). Nesse factor, este jogo foi diferente. Mesmo com 12 cantos contra, a estrutura defensiva não abanou em nenhum e mostrou que uma das principais evoluções reside na diferente atitude (e eficácia) adquirida nesse ponto.

2. O «homem do mercado»NOTAS 2009 10 20

Abriu o mercado e destaca-se um jogador: Ruben Micael. Ele já disse que tem sonhos maiores. O seu Presidente já disse que o quer vender.

O seu futebol justifica que suspirem por ele. Existirá ainda a dúvida se ele será mesmo jogador para um grande. Isto é, se, num onze com grau de exigência competitiva superior ao seu Nacional será capaz de fazer as mesmas coisas, onde entram conceitos como organização, transporte, técnica individual, visão táctica, passe e remate. A dúvida é natural. A resposta parece-me clara. Sim, sem dúvida. Uma razão? Porque tem um traço que distingue os grandes jogadores seja onde for: joga sempre de cabeça levantada! E, com personalidade, nunca se esconde do jogo.

Dizem que não aparece nos grandes jogos, mas penso é que o habitual 3x5x2 que o Nacional usa nesses jogos com os grandes não favorece as suas características. Encaixa melhor no vértice ofensivo de um losango ou, até, num lugar de interior direito (como o FC Porto tanto necessita). Seja qual for o destino (clube e táctica) o bom futebol vai com ele.

3. Um olhar em Portimão

NOTAS 2009 10 20O Portimonense acabou por sair da Taça da Liga. Era uma oportunidade de ver em desafios maiores uma das até agora equipas mais interessantes da II Liga. O onze de Litos tem feito bons jogos e dado belas indicações. Sai a jogar bem desde trás (decisivo o lateral-direito Ricardo Pessoa) e pelo alas que dispõe (Ivanildo ou Vasco Matos) seria natural procurar sistemas com extremos típicos.

Tacticamente, porém, sabe mudar de cara várias vezes (a perder já passou, como na Covilhã, de 4x2x3x1 para 3x5x2). E joga bem. O melhor sintoma: tenta renunciar à vertigem do jogo directo mais habitual da II Liga. Em campo, o maior responsável por isso é o médio Diego (interior, mais sobre a direita ou no centro) ele tem passe e critério a ordenar jogo. Para fazer esse jogo mais apoiado, o onze sentiu muito a falta (lesão demorada) do médio ofensivo que fazia a conexão entre-linhas, o criativo Aragoney. Na frente, Pires e/ou Garavano sabem dar presença na área, mas é quando tem o meio-campo mais completo (em largura e no centro) que joga claramente melhor.