O futebol é um rato a fugir

14 de Janeiro de 2020

O fenómenos de dois cantos serem mais decisivos que dois penaltys e como um nº9 de combate gosta de ter um rato como companhia

A “teoria dos estímulos” reforçou a dinâmica e intensidade sobre todas as bolas. A emoção do derby e a hipótese de cavar fosso maior como líder. O Benfica entrou em Alvalade sem a dupla Vinicius-Seferovic mas com Gabriel a procurar todas as bolas para depois na linha central do meio-campo (com Weigl atrás a equilibrar e Chiquinho á frente a desequilibrar) pegar no jogo e bola com o bloco subido. Fez “campo grande” sem receio e também por isso perdeu controlo a profundidade naquela bola que Rafael Camacho apanhou veloz e estourou no poste,
A precisão de passe do Benfica garante o ataque construído variando o centro do jogo, aproveitando os três corredores. Quando Gabriel demora a faze-lo, Lage levanta-se logo e gritar com ele, lembrando-lhe que o tem de fazer. Circular, circular e depois buscar a zona vertical de penetração. É quando aparece Pizzi.
A entrada de Rafa é de um segundo-avançado. Muda o sistema e agora o poder de Vinicius já tem a quem deixar a bola na área e não esperar que venha de trás. O golo dos “dois”, o combate do panzer-Vinicius mais o instinto de desmarcação do rato-Rafa, definiu o que jogo já dizia. Mal marcou, ainda tudo festejava, Lage chamou logo Weigl. Fixando-o mais como 6 posicional “festejou tacticamente” até ao fim o golo que Rafa marcara (e voltaria a marcar).


Falhar dois penaltys nunca será uma questão táctica, mas pode matar qualquer pretensão táctica. O FC Porto sofreu isso na pele. Dois cantos não são a maior ameaça de golo, mas ao atacar melhor a bola nesses momentos, podem ganhar um jogo. O Braga soube encontrar isso.
Com Corona extremo e Manafá lateral embalado, o FC Porto pensava ganhar o jogo nas costas dos laterais do 3x5x2 do Braga. Na esquerda, o futebol “sob carris” de Alex Telles. A largura estava garantida mas faltava ganhar as zonas de remate quando o processo defensivo bracarense fechava.
Na saída de bola do FC Porto, o Braga organizou-se em 5x2x3, com Wilson Eduardo, Trincão e Paulinho marcando a “saída a três” portista. Mesmo que não a trave, condiciona-a, fecha-lhe a saída “por fora”, cortando as linhas de passe para os laterais projetados. Obriga-o a sair pelo centro, onde o faz de forma mais lenta e dá tempo ao Braga se reordenar. O processo bracarense sente mais dificuldade quando perde a bola a meio-campo e então ficava desequilibrado porque ter menos jogadores atrás da linha da bola mas as oportunidades que o FC Porto teve assim, usando o jogo entrelinhas de condução e criação de Otávio, não concretizou. No final, a moral além da táctica onde dois cantos são mais decisivos do que dois penaltys.

As âncoras e o felino

Nestes jogos, o papel de Danilo acaba ser mais como defesa junto dos centrais do que médio (não sobe em pressão, fica atrás na linha defensiva para os laterais subir e tido fica mais limitado no início de construção). Bastou subir um pouco em recuperação mais alta, para a equipa melhorar ofensivamente, não deixando o Braga respirar (nem ter bola). Ciente disso, Ruben Amorim nunca desfez a linha de 5” atrás (foi sempre 5x4x1). Assim, sempre completo no posicionamento defensivo com o duplo-pivot Fransérgio-Palhinha, duas âncoras, a segurar a equipa, fechando zonas de remate.
O Sporting sabe que não hoje equipa/poder para ter a iniciativa de jogo contra o Benfica e não receia assumir isso baixando mais as suas linhas.
Uma nota: Gosto de Rafael Camacho. Ficou marcado por dizer que não vinha para ser lateral, acharam-no insolente, mas só dizia era “sou extremo/avançado e é ali que jogo bem”. Não se interpretou as coisas assim. Atrasou-se a sua integração e evolução. Agora, bastam uns rasgos para imaginar o que pode ser quando tiver a consistência do talento metido no jogo da equipa.