P. BENTO E M. MACHADO: Modelo e resultado

20 de Dezembro de 2006

P. BENTO E M. MACHADO Modelo e resultado

A PROPÓSITO DA LIÇÃO DE PAULO BENTO: O modelo de jogo é inegociável

Falando do 4x4x2 em losango, Paulo Bento referiu uma noção fundamental: o sistema faz parte do modelo de jogo. Depois, a melhor forma de o sistematizar (4x4x2, 4x3x3, etc) depende das características dos jogadores. Ou seja, é o sistema, e nunca o modelo, que depende dos jogadores. Há, porém, um ponto a reter: falou que o modelo pode variar de clube para clube. Ora, poder pode, mas não é assim que um treinador constrói uma identidade própria. Por exemplo: Paulo Bento prefere um modelo de posse e circulação de bola, fazendo a transição defesa-ataque de forma apoiada.

Jesualdo prefere em vez de circulação de bola, um modelo de transição rápida, onde a qualidade de posse supera a quantidade da posse. São estas as suas identidades como treinadores. Não faz sentido, mudarem de clube e passarem a preconizar modelos diferentes, que obriga a treino diferente, exercícios e periodização. Deve fazer-se adaptações para equilibrar a relação jogadores/modelo, mas nunca sem subverter a filosofia base. Cada treinador deve ter um modelo preferencial e quando um clube o contrata, está a contratar os dois, treinador e modelo. Não faz sentido de outra forma no futebol de top.

Caso contrário, é o primeiro passo para o fracasso.

A ACADÉMICA DE MANUEL MACHADO: A relação bom futebol-resultado.

P. BENTO E M. MACHADO Modelo e resultadoManuel Machado disse, esta semana, que estava cansado de ver a sua equipa jogar bem e não ganhar. O melhor era não jogar não tão bem e ganhar. Com esta frase pretendia estabelecer uma relação directa entre as derrotas e o jogar bem. Não pode existir frase mais assustadora. A Académica tem, de facto, perdido muitas vezes jogando um futebol interessante mas a causa não é, obviamente, por estar a jogar bem, mas sim de erros tácticos de posicionamento que alguns jogadores cometem, sobretudo a defender, para além, claro, das limitações que muitos têm.

Um modelo de jogo demasiado ambicioso para os interpretes ao dispor ou, digamos, treinador a mais para equipa a menos. É neste ponto que Machado tem de trabalhar. Adequa-lo à equipa, sem que ela perda identidade. Se a forma dos resultados aparecerem fosse descendo o nível exibicional, tendo, como disse, um jogo menos airoso e urdido, então teríamos os treinadores a começar a preparar as equipas para jogar mal. É um debate sem sentido. Ninguém ganha por jogar mal mas apesar de jogar mal.

Ninguém perde por jogar bem, mas apesar de jogar bem.