Porque as coisas mudam?

15 de Março de 2020

Como FC Porto virou campeonato em quatro jogos: De Otávio a Samaris, de Conceição a Lage, da convicção á dúvida... onde anda Rafa?

Em quatro jogos, o campeonato inverteu-se. O FC Porto virou sete pontos de pernas para o ar e resgatou a liderança que ainda há pouco parecia uma quimera. Eu sei que se trata de analisar equipas mas uma (boa) forma de o fazer é vendo quem são (e por onde andam) os seus jogadores mais importantes. Numa tentativa de personificação da reviravolta, dois nomes, nesse sentido, para cada onze. Vejamos:
O jogador que vejo a ver como o mais importante neste FC Potro continua a ser Otávio, o elemento que permite, vindo desde a ala e sabendo ocupar o meio como terceiro médio a pegar no jogo/bola atrás e a frente, variar sistema entre 4x4x2 e 4x3x3, abrindo Marega.
O jogador que passou, para Lage, a ser o mais importante neste Benfica é Samaris, quando antes era Rafa, decisivo até ao derby como segundo avançado e indefinido a partir do clássico no Dragão onde ressurgiu como extremo, saindo Cervi o “corre-caminhos” decisivo da transição defensiva.
Ou seja, enquanto Conceição manteve a coerência da sua ideia de jogo, Lage mudou a lógica da posição chave de segundo avançado do seu 4x2x3x1 (4x4x2 ou 4x4x1x1) mas sem criar nada de novo em ataque posicional organizado. Esse é o problema ofensivo.

Os últimos jogos, Santa Clara e Moreirense, provaram essa importância diferenciadora entre o consolidado jogar portista (com variantes programadas) e as dívidas do jogar benfiquista (sem variantes rotinadas). A indefinição em que caiu Lage, levou mesmo a passar a ver Rafa (antes, quatro jogos atrás, o diferenciador imprescindível) como um jogador a tirar quando a equipa, frente ao Moreirense fechado, precisava de virar o resultado.
É verdade que a equipa tem problemas defensivos (de transição, sobretudo) e era importante meter um reforço posicional e com perfil de liderança, no corredor central atrás da linha da bola –o perfil do Samaris- mas ao mexer nessa posição, Lage ficou com Taarabt “nas mãos” e não quis perder. Consequência? Subiu-o para 10. Assim confundiu as ideias, confundiu Rafa e confundiu a equipa (agora a atacar) pondo Pizzi á beira de um ataque de nervos em campo. Agora, quando quer atacar para ir á procura do resultado, “parte” a equipa e fica ainda mais caótico na relação defesa-ataque.
Entretanto, o FC Porto lambeu as suas “feridas emocionais”, manteve as convicções tácticas e com o grito de Conceição (sentido nos Açores para agarrar o meio-campo que se perdia na primeira parte) manteve o seu caminho e, sem fazer nenhum barulho táctico com mudanças, chegou á liderança. AS convicções costumam ser sempre mais proveitosas, sobretudo nos momentos de maior pressão.