“Sociedade quebra-regras” e “Aprendizagem diferencial”

10 de Outubro de 2020

 

Não é apenas uma questão de querer ver sempre as coisas de forma diferente. A “The Rulebreaker Society”, em tradução livre, “A Sociedade Quebra-regras”, nasceu da ideia de empresários pioneiros, empreendedores ou investigadores, de diferentes áreas, que têm em comum algo muito simples: quebrar (ou buscar quebrar), deliberadamente ou não, as regras básicas da industria em que se inserem.

Através desse princípio de “quebra-regras” eles descobrem novos mercados, revelam outros lados da industria, fazendo-a tremer ou empolgar, ganham milhões e mudam o mundo. É uma nova geração sem idade que criou um clube privado que está permanentemente em mutação, de objectivos e membros. Antes de mudar realidades, criar novas formas de pensamento, chocando culturalmente, rompendo dogmas. Ser excitante com classe.

 

O fundador foi o alemão Sven Gabour Janszky, revolucionário cultural, que em 2003 anunciava a mudança do conceito de venda na indústria musical e o surgir da TV “on-demand”, muito antes das aplicações dos smartphones, Itunes ou IPTV de hoje. Junto a ele, na sociedade, estão, entre outros, hoje, homens como Walter Gunz, fundador do Mediamarket, Gerorhe Forgacs, magnata da industria farmacêutica e pioneiro da impressão 3D, Reed Hastings, fundador do Netflix, e, até, Tan Lee, dono da sociedade Emotiv, que tem um programa “electro-encefálico” visando controlar objetos pela mente.

Ao lado destes homens está também um treinador de futebol. Thomas Tuchel. Na sua área também defende que o avanço “empresário-neurosensorial” e social passa pela destruição criativa das regras convencionais. Capaz de fazer a equipa passar por seis sistemas tácticos diferentes durante o mesmo jogo porque acha que os jogadores serão sempre mais inteligentes do que ele a... jogar o jogo.

A sua ideia essencial para uma concepção de liderança é a capacidade de adaptação a qualquer realidade. Tenho as minhas ideias mas não há, de forma alguma, só uma forma de conseguir o que se quer. Há que saber adaptá-la. É o “Football 2.0”. A chave para perceber um novo mundo e um jogador, por dentro (e por consequência uma equipa).

Tuchel assume que o primeiro homem a influenciá-lo, por volta de 1999, foi Ralf Rangnick (que hoje se destaca a treinar o RB Leipzig), então no Stuttgart, com aplicações especificas com potencial efeito imediato em diferentes ações do jogo.

Por exemplo, “as melhores oportunidades de marcar um golo estão nos oito segundos que se seguem à recuperação da bola (a outra equipa sente o impacto de perder a posse)”. Assim, criou um exercício de treino especifico com duração de oito segundos (pós-recuperação da bola). em que os jogadores rotinavam, a partir de diferentes locais, movimentos interligados para chegar a situação de remate-golo. Este é apenas um exemplo de como “pensar diferente”. A mentalidade irá resultar dos esforços a que forem sujeitos.

Rangnick, provavelmente, nunca ganhará a Bundesliga, mas com a sua forma de pensar mudou a face do jogo (e treino) do futebol alemão em muitos aspectos. Tuchel cresceu com isso, distinguindo três níveis de motivação que deve usar na equipa: pela agressividade, pela coesão ou pela curiosidade). Adaptabilidade motivacional.

No PSG, Tuchel tem o desafio enorme de aplicar todos estes conceitos de “quebra-regras” e “aprendizagem diferencial”. Pelo tipo de jogadores que encontra e “status” de correlação de poderes interno (o que já o fez falhar e sair de Dortmund antes).

É difícil estar nestes clubes e não partir do principio que os resultados vão ultrapassar tudo o resto (todas as competências). A filosofia da estética e da estética aplicada ao futebol, inclusive. Os clubes devem ter, eles mesmo, a consciência da imagem que querem fazer passar do que são. Identidade da equipa, personalidade do clube. Mas onde estão os “clubes quebra-regras?”