Toque de distinção: “Golden Boy sub-21 2020”

24 de Outubro de 2020




Do futuro é impossível falar, porque ele ainda não aconteceu. É, talvez, no futebol (como na vida) das frases mais lúcidas para ter presente antes de se querer antecipar algo. É, porém, uma tentação irresistível.

O chamado troféu “Golden Boy” (que, organizado pelo “Tuttosport” desde 2003, premeia, a cada ano, o melhor jogador sub-21 a atuar na Europa) é o melhor exercício de projeção de grandes talentos no futuro.

Esta semana, saiu a lista dos 20 finalistas para 2020. Um elenco elitista para fazer sonhar, desde truculentos com bola, e jogam como se ainda estivessem no velho “futebol de rua”, até aqueles que parecem ter crescido mais depressa, e jogam como veteranos do conhecimento.

Esta será uma boa forma de dividir o perfil de Jadon Sancho, o “little boy” extremo-inglês que parte para cima dos defesas disposto a “entortá-los” a todos, e Camavinga, precoce “petit garçon” francês mas já médio-catedrático a pensar o jogo.

 

A promessa de talento pode adquirir várias formas. O caso do nosso Ronaldo, que evoluiu (desde esta etapa sub-21 até ao presente) dum “Ronaldinho de imaginação e fintas” até um “Adónis atlético goleador”, mostra como a formação e maturação (física e futebolística) dum jogador está em permanente evolução. Arrisco dizer mesmo que a sua formação só acabará no ultimo jogo (ou ultimo treino) da carreira.

Curioso, porém, é notar que Ronaldo nunca vendeu este prémio. Nos seus anos de explosão como promessa, ele foi para Van der Vaart (2003), Rooney (2004), Messi (2005) e Fabregas (2006). Em comum nestes quatro nomes, o serem, então, já “mais jogadores” no sentido de pensar o jogo, desde o pegar na bola e fazer entender a toda a equipa como se joga. O lado professoral-precoce de um médio, mesmo que mais ofensivo, ou, no caso de Rooney, mais aguerrido, na senda então do craque perdido Gascoigne.

Hoje, esse tipo de jogador, “adulto-professor” precoce, continua a cativar, mas fico com a sensação que está cada vez mais a perder, no imaginário nostálgico e de desejo revivalista, para a memória do tempo dos dribladores”, os criativos que nos faziam levantar empolgados da bancada e não só bater palmas de admiração.

Por isso, na época passada venceu João Félix e, este ano, Ansu Fati, Vinícius, Jonathan David, Rodrygo, Jadon Sancho, Fábio Silva, Foden, Hudson-Hodoi ou até Kulusevski e Greenwood, entram nesta lista final.

 

Olhando o elenco, procuro aqueles que vejo como mais diferenciadores no sentido de trazerem coisas diferentes (ou revitalizar causas adormecidas) que o jogo precisava.  Fico, nesse exercício, hipnotizado com a “locomotiva” da faixa esquerda do Bayern, expressa no lateral-esquerdo canadense Alphonso Davies.

Não é só mais um lateral ofensivo de correr muito e centrar. Traz, nessa velocidade sempre alta do futebol moderno, conceitos de jogo (visão e movimentos) e não apenas o jogar “sobre carris” como acontece á maioria desses “cursores de faixa”.

Também gosto de ver como tem crescido Bukayo Saka no Arsenal, de extremo a lateral (sem perder nada de cada posição, antes acrescentando cada vez mais camadas de diferentes culturas posicionais, que lhe permitem, inclusive, já jogar por vezes como interior-esquerdo).

 

E, claro, também surge entre esta elite de “promessas com mil caras”, o goleador que faz golos desde o berço: Haaland, um norueguês que parece ter nascido com um pacto com a baliza.

Está sempre no sito certo para finalizar (e raramente falha) mas não lhe detecto, sinceramente, uma grande inteligência (entenda-se cultura de posição) de movimentos para isso acontecer. Também não será, claro, só daquela velha ilusão de “adivinhar onde vai cair a bola”. É forte fisicamente, mas faz muitos golos porque surge nos espaços vazios certos para o fazer. Ainda não decifrei bem, confesso, a origem da sua essência de nº9 como “fabrica de golos”.  São estes casos que nos desafiam mais quando queremos antever o futuro.

Os 20 candidatos:

  • Dejan Kulusevski(Juventus)
  • Sergiño Dest(Ajax - atualmente, está no Barcelona)
  • Dominik Szoboszlai (Salzburgo)
  • Mitchel Bakker(PSG)
  • Sandro Tonali(Milan)
  • Ferran Torres(Valencia - atualmente, está no Manchester City)
  • Rodrygo (Real Madrid)
  • Vinicius (Real Madrid)
  • Ryan Gravenberch(Ajax)
  • Jonathan David(Lille)
  • Alphonso Davies(Bayern de Munique)
  • Bukayo Saka(Arsenal)
  • Jadon Sancho(Borussia Dortmund)
  • Fábio Silva(Wolves)
  • Ansu Fati(Barcelona)
  • Phil Foden(Manchester City)
  • Eduardo Camavinga(Rennes)
  • Mason Greenwood(Manchester United)
  • Erling Haaland(Borussia Dortmund)
  • Callum Hudson-Odoi(Chelsea)